São Paulo, 18 (AE) A inflação continuou perdendo fôlego em São Paulo este mês pela segunda semana consecutiva por causa da recessão. O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) registrou variação de 0,96% na segunda quadrissemana de março. A queda foi de de 0 28 ponto percentual na comparação com a primeira prévia do mês (1,24%).
O recuo surpreendeu o coordenador da Fipe, Heron do Carmo, que reviu novamente a previsão do IPC para este mês: de 1 2% para algo em torno de 0,8%. Mas ele mantém a estimativa de que o índice deve chegar a 2% em abril, por causa da entrada da nova coleção de roupas, da entressafra do leite e da alta da gasolina, e oscilar entre 10% e 12% em 1999. Na sua avaliação, na média, os piores meses para os índices de preços serão fevereiro e março. Mas, para o IPC da Fipe, essa regra não se aplica porque esse indicador mede a variação dos preços no varejo.
"O resultado da segunda quadrissemana foi mais favorável que o esperado por causa do efeito renda que está contribuindo significativamente para segurar a inflação", diz Heron. Se não fosse a perda de poder aquisitivo da população, os reajustes de preços dos produtos básicos não tinham diminuído, argumenta. Os alimentos, por exemplo, que tinham subido 2,70% na primeira prévia de março, aumentaram 2,09% na segunda quadrissemana.
Ele aponta também outros fatores que estão ajudando a conter a alta de preços e melhorar as expectativas dos agentes econômicos, como o recuo do dólar, a proximidade da data de liberação dos recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), a reativação das linhas de crédito internacionais e o superávit comercial.
Dos sete grupos de preços pesquisados, dois registraram variação negativa - vestuário (-2,47%) e educação (-0,10%) e três variação postiva, mas com desaceleração - alimentação (2 09%), habitação (0,68%) e transportes (1,61%) - na segunda prévia deste mês. Já os preços dos grupos saúde e despesas pessoais, com variações de 0,29% e 1,11%, respectivamente, ficaram praticamente estáveis na comparação com a primeira quarissemana de março.
Além da retração nos preços do vestuário por causa das liquidações de verão, Heron destaca outros fatores que estão fazendo com que a inflação desacelere nas últimas semanas. Os preços dos produtos industrializados como remédios, margarinas, artigos de limpeza, derivados de carne, entre outros, por exemplo, estão subindo, mas não a ponto de compensar a perda de ritmo dos reajustes dos produtos básicos.
Em fevereiro, a carne bovina e os produtos panificados, afetados diretamente pela desvalorização cambial, subiram 8,8% e 8,9%, respectivamente. Já na segunda prévia deste mês, o reajuste da carne foi menor, de 3,8%, e dos panificados, de 5,2%
o que ilustra bem, segundo Heron, a desaceleração.
Já no caso dos transportes, a perda de ritmo nos preços, que tinham subido 1,99% na primeira prévia do mês e aumentaram 1 61% na segunda quadrissemana, ocorreu porque o efeito do reajuste das tarifas de ônibus já foi absorvido. "O aumento da gasolina está entrando devagar", diz Heron, destacando que, na segunda quadrissemana de março, o produto subiu 3,38%, refletindo ainda o aumento do imposto e não os novos preços cobrados pelos postos.
Mínimo - O cordenador do IPC da Fipe defende o reajuste em torno de 6% do salário mínimo e diz que esse aumento não terá impacto inflacionário na economia como um todo. A não ser nas contas do governo. "Sobre a inflação o efeito é desprezível." A partir de maio, prevê o economista, a perspectiva é que todos os índices de inflação tenham uma trajetória de queda e a economia inicie um ciclo virtuoso. Para o terceiro trimestre do ano, Heron reafirma que a tendência é que o IPC da Fipe fique muito próximo de zero. Essa projeção, esboçada na semana passada
ressalta, ganhou mais condições de ser concretizada, depois do resultado obtido na segunda quadrissemana.

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