Washington, 14 (AE-AP) - Os preços ao consumidor subiram 0,7% em março, o maior aumento em quase um ano, empurrados pelos aumentos da gasolina e de outros preços relacionados com energia. A grande elevação no Índice de Preço ao Consumidor do departamento do Trabalho, o indicador de inflação mais observado
foi uma notícia pior do que o aumento de 0,5% que muitos analistas estavam esperando.
Esta elevação é decorrente de um aumento de 4,9% nos preços de produtos relacionados com energia, o maior desde abril do ano passado.
Fora das voláteis categorias de energia e alimentos, o índice "básico" de inflação subiu 0,4%, o salto mais alto em cinco anos. O índice básico subiu duas vezes mais depressa do que os analistas estavam esperando. O governo disse que a elevação nos preços da moradia, transporte e mobiliário respondeu pela maior parte do aumento.
Em fevereiro, os preços ao consumidor subiram 0,5%, refletindo os custos mais altos relacionados com energia, enquanto que a inflação básica teve uma elevação de apenas 0,2%. O Federal Reserve aumentou as taxas de juros cinco vezes desde 30 de junho, para desacelerar a economia que está superaquecida e manter a inflação sob controle.
Diante da perspectiva da continuidade de um crescimento forte
muitos analistas acreditam que o banco central deverá elevar novamente as taxas de juros em 16 de maio.
O relatório do IPC divulgado hoje (14) surge dias depois de o governo ter dito que a inflação de março em nível de atacado subiu 1%, mas o aumento ficou restrito à alta dos preços relacionados com energia.
O aumento de 0,7% no IPC de março foi o maior desde abril do ano passado, quando o índice de preços ao consumidor também subiu 0,7%.
Até agora, os preços ao consumidor vêm subindo a uma taxa anual de 5,8%, enquanto durante todo o ano de 1999 este índice foi de 2,7%. A aceleração nos preços este ano na sua maioria é um reflexo do aumento nos preços relacionados com energia.
Em março, a tendência de queda nos preços do óleo combustível
que tinham subido abruptamente em fevereiro, e da eletricidade compensaram a elevação nos preços da gasolina e do gás natural.
Os preços da gasolina subiram 11,1% e o do gás natural, 1,9% -- ambos os aumentos foram os maiores desde setembro. Entretanto
os preços do óleo combustível, que tiveram um aumento recorde em fevereiro, caíram em março 14,2%, a maior queda em dez anos.
O limite imposto à produção pelos países produtores de petróleo foi o grande responsável pela elevação nos custos totais de energia. Os preços do petróleo bruto atingiram a marca de US$ 34,00 o barril no início de março, o último de uma série de nove anos de alta, empurrando os preços da gasolina para o espaço. Os preços do petróleo caíram desde então, e a decisão dos países produtores de aumentar a produção deverá proporcionar um maior alívio.
A alta nos preços relacionados com energia tiveram seu efeito sobre as passagens aéreas, que subiram 4,6% em março, o maior aumento desde outubro. Também, os preços do transporte subiram 2 5%.
Já o preço dos alimentos apresentou uma pequena elevação de 0 1% em março, pois os preços em queda de frutas, legumes e laticínios ajudaram a compensar os crescentes preços de carne de porco, carne bovina e frango.
O relatório registra ainda um aumento de 0,4% no preço das moradias.
Os produtos do fumo, incluindo cigarros, subiram 1,1%, seguindo-se a um aumento razoável no mês anterior. As empresas aumentaram o preço do cigarro para poder cobrir os custos das indenizações decorrentes dos processos judiciais contra o fumo.

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