São Paulo, 12 (AE) - A inflação no comércio varejista de São Paulo registrou uma alta de 0,44% na 1ª semana de julho em relação à anterior, mas, no conceito quadrissemanal, que calcula a média dos preços das quatro últimas semanas em relação à média do mesmo período imediatamente anterior, o índice caiu um pouco, de 1,50% para 1,44%. Os dados estão em pesquisa elaborada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) e divulgada em parceria com a AGÊNCIA ESTADO.
Contribuíram para a variação positiva da inflação os grupos comércio automotivo e semiduráveis, que registraram aumentos de 2,18% e 2,79%, respectivamente. O setor de vestuários registrou alta, de 2,67%, no período quadrissemanal, mas os preços, desde o lançamento da coleção outono/inverno, dão sinal de que alcançaram o limite.
As taxas ponta-a-ponta, que registra a variação dos preços da semana de referência em relação à mesma do mês passado
e semanal já mostram tendência de desaceleração. Na primeira semana de julho, estes índices ficaram negativos em 2,45% e 2 43%, respectivamente. Individualmente, os campeões de alta ainda são os produtos farmacêuticos (4,53%) e os móveis (5,92%).
Segundo o economista da FCESP, Miguel Supico, o setor de móveis está se comportando como comoditties, porque se esforça para equalizar os preços internos aos dos praticados para exportação, em média mais altos, mesmo que não haja pressão da demanda no mercado nacional.
"Os produtos farmacêuticos, que observaram aumento de preços de 140% desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994, encontram mercado para impor os custos das importações, encarecidas em razão da desvalorização do real.
Os fármacos tiveram aumento de 32% acima da inflação registrada no varejo desde julho de 94", afirmou Supico. O setor de móveis registrou o maior índice acima da inflação no mesmo período (152%), superior apenas aos aumentos dos produtos farmacêuticos. "Estes setores não dão sinal de que pretendem parar os reajustes. As vendas para os dois mercados estão mais aquecidas e é natural que as indústrias queiram equalizar os preços", avaliou Supico.
Os preços de alimentos não mostram mais a tendência de queda que permitiu publicar índices de custo de vida negativos durante aproximadamente 60 dias. A variação quadrissemanal ficou em 0,37%, mas, nos índices ponta-a-ponta e semanal, as taxas registraram variação positiva, de 0,21% e 0,90%, respectivamente.
O único destaque de baixa, segundo a pesquisa FCESP-AE, foi o setor material de construção, com -1,49% de taxa quadrissemanal. "As taxas semanal e ponta-a-ponta não mostram uma tendência clara dos preços no setor de construção, mas é provável que o movimento de queda também esteja perto do esgotamento", disse Supico.
As montadoras, por sua vez, reajustaram valores de uma só vez, o que permite avaliar, na opinião de Supico, que os preços devem permanecer estáveis. "Já as concessionárias estão aumentando os preços mais lentamente, que indica que os 12% previstos não devem ser repassados integralmente", calculou o economista.
A pesquisa FCESP-AE informa que pouco mais de um quarto dos entrevistados no comércio acha que o movimento de vendas está menor do que na semana passada. O número de pessoas que tem uma visão mais otimista da tendência do faturamento - igual ou maior - cresceu de 51% para 58% da pesquisa.
Expectativas "A inflação no varejo não deve ficar abaixo de 1% ainda este ano. Pelo contrário, é bem possível que ela registre uma alta", calculou Miguel Supico. Para o economista, as empresas estão "loucas" para repassar os aumentos verificados nos setores públicos. Ele afirmou que dependerá do Banco Central os desdobramentos para o controle da inflação.
"Tecnicamente, o BC não deve determinar uma queda maior da taxa Selic, pois, se isso fizer, a bolha inflacionária será repassada para os preços ao consumidor. Se, por outro lado, o BC aumenta os juros, novamente inibirá o consumo e taxará os setores produtivos", avaliou.
Supico não arriscou que caminho o BC deve seguir. Para ele, os reajustes dos serviços públicos são responsáveis, em parte, pela diminuição da renda da população. "Os salários não acompanham as altas de preços, o que reduz o poder aquisitivo dos consumidores", disse.

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