Inflação não recua e FGV piora expectativas para o ano
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 30 (AE) - A inflação de agosto foi de 1,56%, praticamente mantendo a mesma taxa registrada em julho (1,55%), segundo cálculo do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), da Fundação Getúlio Vargas. A aparente estabilidade, porém, não foi tida como um bom sinal pelos técnicos da FGV, que esperavam já para agosto uma redução da inflação.
Por isso, o teto de 14% que era esperado para o acumulado do ano já passa a ser a estimativa mínima. "Poderemos ter uma inflação anual acima de 14%, mas ainda não dá para saber a quanto irá chegar", afirmou Paulo Sidney Cota, chefe do Centro de Estudos de Preços.
O comportamento da inflação até o fim do ano será ditado
basicamente, pela cotação do dólar. "Nos próximos meses, a saída de reservas costuma ser maior, o que pode significar um impacto também nos preços", disse Cota. Em agosto, o aumento dos custos pressionou os preços no atacado e a extensão inesperada do inverno também deixou mais caros os produtos agrícolas.
O que manteve a inflação num ritmo de estabilidade foram os preços ao consumidor. "O que está pretendendo o preço é o nível de renda", diz Cota, referindo-se à demanda ainda fraca no comércio. "A inflação está represada na ponta do varejo."
No acumulado do ano, o Índice de Preços no Atacado (IPA) está em 16,59%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor, em 9 97%. Para Cota, é possível que no fim do ano haja um pico de consumo e, por consequência, uma alta razoável também na inflação.


