Inflação entra em queda sem risco de alta do combustível, diz Fipe
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terça-feira, 30 de novembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 30 (AE) - Ao anunciar hoje que não planeja um aumento dos preços dos combustíveis nos próximos meses, o governo eliminou a única possível causa de pressão nos índices de inflação em dezembro. "Com isso afastado, não deve haver surpresas", disse o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo. Em dezembro, os índices cairão em relação a outubro-novembro.
Heron concorda com a avaliação do governo, que o período sazonal de alta dos preços está no fim. Segundo ele, o índice de dezembro será menor à medida que o preço da carne bovina já está caindo no mercado atacadista e também porque o preço dos combustíveis, ao menos, tende a estabilização. "Já subiu muito", disse o coordenador do IPC, descartando novos reajustes.
"Este exagero de altas é explicado por problemas localizados e que serão superados", afirmou Heron. Ele disse que é "perfeitamente factível" a queda do IPCA já em novembro, como disse hoje o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Isso porque o álcool tem um peso inferior na composição do IPCA do que tem no IPC-Fipe. Assim, o IPCA de novembro pode ficar abaixo do de outubro e o de dezembro, inferior ao apurado em novembro.
Em janeiro, Heron disse que o índice de custo de vida pode ser pressionado pelo reajuste das mensalidades escolares. A cada 10% de reajuste, o impacto no índice será de 0,30 pontos percentuais. O economista não acredita em reajustados altos, porque o poder aquisitivo da população está deprimido. Apenas "colégios de grife, que tem lista de espera" poderiam reajustar suas mensalidades em 20% ou mais, de acordo com Heron.


