Inflação em 99 foi pressionada pelo dólar e tarifas de serviços
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 02 (AE) - A desvalorização do real, em janeiro de 1999, fez com que os brasileiros atravessassem o ano de olho nos índices de inflação. A taxa foi pressionada pela alta do dólar, o aumento do petróleo e uma armadilha montada pelo próprio governo na privatização dos serviços de infra-estrutura: a correção das tarifas de serviços como energia e telefone pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), conforme determinam os contratos de concessão. Mas, pela sua própria estrutura, o IGP-DI subiu mais do que outros indicadores, que medem o custo de vida apenas para o consumidor.
Já o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), como todos os índices calculados pela FGV-RJ, mede a inflação em três níveis da economia, com taxas distintas que são usadas na composição do resultado final. O Índice de Preços por Atacado (IPA) acompanha a variação de preços no setor produtivo, enquanto que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) mede a inflação no varejo no Rio e em São Paulo, os dois maiores centros de consumo do país. A inflação no setor de obras é calculada pelo Índice Nacional de Custos da Construção Civil (INCC).
O índice de maior peso (58%) no IGPM é o IPA - justamente aquele que captou com maior força a variação do dólar sobre os preços dos insumos da indústria e produtos agrícolas, cotados pela moeda norte-americana no mercado internacional, como o açúcar e a laranja.
Quando começou a ser calculado, o custo de vida no atacado tinha peso de 60% nos IGPs, mas, à medida que o cálculo foi aperfeiçoado, foi cedendo espaço para o IPC, que passou a pesar 31%. O INCC aumentou para 11% sua participação na taxa final.
Diferença dos números - A taxa acumulada do IGPM neste ano foi de 20,10% - mesmo número do Índice Geral de Preços número 10 (IGP-10), que mediu o custo de vida entre 20 de dezembro do ano passado e 10 de dezembro deste ano. Enquanto o IPA do IGPM aumentou 29,34% em 1999, o IPC acumulou alta de 8 83% - número mais próximo dos 8,29% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo da Série Especial (IPCA-E) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O INCC teve alta de 8,46% no ano.
Utilizado para corrigir a Ufir, o IPCA-E foi o único índice de inflação anual divulgado pelo IBGE antes do fim de 1999. A razão para isso é que ele é calculado a partir do meio do mês - e a taxa de 8,29% refere-se à alta do custo de vida entre o dia 15 de dezembro de 1998 e o dia 15 de dezembro deste ano.
O índice não é o mesmo IPCA comum que foi adotado para acompanhar a meta de inflação que o Banco Central (BC) tem de atingir, de acordo com a nova política instituída pelo presidente da instituição, Armínio Fraga, no segundo semestre. A taxa do IPCA neste ano vai ser divulgada somente no início de janeiro, mas a variação acumulada até novembro, de 8,29%, já ultrapassou a meta de inflação do BC - embora não tenha passado da margem de erro com que a instituição pode trabalhar, entre 6% e 10%.
Ao divulgarem o IPCA de novembro, no início deste mês, os técnicos do IBGE calcularam que era pouco provável que a taxa anual supere os 10%.


