Inflação é maior causa de inadimplência, aponta pesquisa
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sábado, 11 de setembro de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 12 (AE) - Os gastos decorrentes do reajuste dos serviços públicos e dos combustíveis estão deixando a renda do consumidor inadimplente cada vez menor, dificultando o acerto das dívidas. Pesquisa em 20 capitais e grandes cidades com 28.306 inadimplentes, a maioria com rendimentos mensais de até R$ 1 mil, mostra que o comprometimento da renda, um dos três principais motivos da inadimplência, vem apresentando tendência de crescimento.
Compras para terceiros (emprestar o nome para alguém abrir um crediário) ainda aparece em primeiro lugar na lista de razões para atraso de prestações. Mas no semestre esse item vem mostrando tendência de recuo. O atraso de salário, segundo motivo citado para deixar uma dívida, é também uma justificativa em queda.
Julio Shinohara, responsável pela pesquisa e diretor de Informações do Grupo Unidos, maior empresa de recuperação de crédito do País, observa que desde maio do ano passado o comprometimento da renda está entre os três primeiros motivos de inadimplência. "Notamos também que desde o fim de 98 o problema vem piorando", diz Shinohara. O comprometimento de renda foi citado como motivo para atraso no crediário por 10% dos entrevistados em novembro, 9% em janeiro, 11% em abril e 12% em julho.
Dados de endividamento e inadimplência da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) indicam que o índice de comprometimento da renda aumentou 15,8% em julho, em relação ao mês anterior, e 6,8% em agosto na comparação com julho. Mesmo assim, o índice de endividamento das pessoas manteve-se estável nesses dois meses e o índice de inadimplência, depois de ter subido 15,4% em julho, caiu 8,9% em agosto.
Outras razões cada vez mais lembradas para o consumidor não pagar em dia as dívidas, conforme a pesquisa, têm sido gastos com doenças, por causa do aumento dos remédios (reajuste médio de 8,8% no primeiro semestre), redução da renda, no caso de autônomos e profissionais liberais e, claro, o desemprego, citado com frequência.
O motivo desemprego, que se manteve estável em 10% entre janeiro e abril como causa da inadimplência, passou para 12% em julho. Mas, como a tendência é de decréscimo no nível do desemprego no segundo semestre, essas taxas podem cair, de acordo com Shinohara.
Consciente - O fato de o consumidor estar mais consciente dos riscos de emprestar seu nome para um familiar ou amigo fazer compras tem reduzido a participação do item compras para terceiros como motivo para inadimplência. Isso chegou a representar 31% das citações da pesquisa em julho de 97, manteve-se estável em torno de 21,5% ao longo do ano passado e começou a apresentar queda de janeiro para cá. Em janeiro o porcentual de atrasos por causa de compras para terceiros foi de 21%; em abril caiu para 19,8% e em julho, para 18%.
"O consumidor ficou mais maduro e o comércio, mais seletivo na concessão do crédito depois do aumento da inadimplência", observa a economista Denise de Pasqual, da Tendências Consultoria Integrada. Ela lembra também que o consumidor está mais preocupado em quitar débitos em atraso para não ter o nome incluído no cadastro de devedores do Serviço de Proteção ao Crédito.


