Inflação do paulistano recua para 0,74% em agosto
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 3 (AE) - A inflação do município de São Paulo em agosto ficou em 0,74%, contra 1,09% em julho, confirmando as previsões do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC)
da Fipe, Heron do Carmo. A queda no preço dos alimentos em relação ao esperado, apesar de uma alta inesperada de 1,52% dos alimentos semi-elaborados, contribuiu para essa redução do índice.
Pesou sobre o índice de agosto o reajuste das tarifas de energia e água e esgoto que, somados, contribuíram com 0,51%, e o aumento da gasolina, que trouxe mais 0,11% para a inflação no mês passado. Assim, esses três itens, somados, representaram 0 62% dos 0,74%.
De acordo com Heron do Carmo, o IPC em setembro deve ser de 0,30%. Seria menor se ainda não estivesse pressionado pelos reajustes das tarifas e da alta inesperada dos semi-elaborados, principalmente o feijão. Em setembro, a variação do preço dos alimentos deve seguir o comportamento de agosto, que teve uma alta de 0,81%. A possibilidade é de que chegue até 1%.
Em agosto, os gastos com habitação sofrerem uma alta de 2,07%. A expectativa da Fipe é de um recuo significativo neste mês de setembro, porque o impacto dos reajustes das tarifas será menor.
No mês passado, a Fipe registrou uma alta de 1,15% no preço dos artigos de limpeza, o que veio do fim da guerra de preços entre os fabricantes e da alta da matéria-prima derivada de petróleo, usada no setor.
Os gastos com transportes também devem cair em setembro, na comparação com agosto, quando subiu 0,98%. Em agosto, o reajuste dos bilhetes de metrô e de integração puxaram o índice. Em setembro, os gastos devem cair já que a tendência é de baixa do preço da gasolina nos postos de combustíveis, para se adaptarem à concorrência.
Os artigos de vestuário devem continuar a trajetória de queda em setembro. No mês passado, a baixa foi de 2,88% em função das liquidações que devem continuar, segundo Heron do Carmo, neste mês. Há possibilidade de uma pequena alta já que o lançamento da coleção de verão ocorre, tradicionalmente, a partir do final de setembro.
As despesas pessoais e com itens de saúde subiram em agosto, respectivamente, 0,14% e 1,20% e devem continuar apresentando alta no mês de setembro. O impacto, de acordo com Heron, de uma alta das despesas pessoais não será significativa para a composição do IPC.
Os gastos com educação, que subiram 0,14% em agosto, devem se manter estáveis em setembro, segundo Heron.
Embora a inflação acumulada de janeiro a agosto seja de 4,39%, Heron do Carmo observou que vários itens pesquisados pela Fipe registraram reajustes bem maiores. Isso, segundo ele, seria uma demonstração de que já houve repasse para o consumidor final de aumento de custos e do efeito da desvalorização cambial. O repasse foi feito de forma gradual e, assim, provocou menor impacto.
Os artigos de limpeza, por exemplo, subiram 7,88% até agosto deste ano. Os equipamentos eletro-eletrônicos foram reajustados em 7,04%. As roupas, de forma geral, subiram 4%.
Os maiores reajustes, entretanto, são dos preços controlados pelo governo. Assim, "serviços públicos residenciais" que engloba energia e água e esgoto, tiveram uma alta de 12,16% e "transportes", aonde estão os combustíveis, sofreram um aumento de 13,57%. Os remédios estão entre os campeões de alta, com 14,49%.


