Inflação deve ficar em 0,55% em setembro, prevê Lloyds
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 07 (AE) - A reversão no movimento de alta de produtos agrícolas e a ausência de reajuste de tarifas em setembro permitirá uma queda na inflação, que poderá fechar o mês em 0,55%, aponta análise semanal do Lloyds Bank. Em agosto a inflação foi de 0,74%. De acordo com o estudo, divulgado hoje pela manhã, a significativa reversão no grupo vestuário, que sai de 1,89% no final de julho para uma deflação de 2,88% em agosto, responde por grande parte da queda. A alta em alguns produtos industrializados e nas despesas pessoais foram os principais pontos de pressão de alta.
Os juros devem permanecer em queda. De acordo com o estudo, o Banco Central ao reduzir a taxa do empréstimo compulsório sobre depósitos a prazo, que passam de 20% para 10%, gerará um aumento de aproximadamente R$ 10 bilhões na liquidez do sistema. Mas alerta que os "efeitos sobre as taxas de empréstimos podem não ser tão fortes no curto prazo, dada a insegurança ainda existente, sobretudo com a inadimplência". Além disso lembra da nova reunião do Copom, prevista para o dia 22. "Caso a taxa de câmbio esteja menos pressionada, pode até vir a ocorrer uma tênue queda dos juros básicos.".
A análise semanal do Lloyds afirma que o quadro cambial continua gerando preocupações, com a cotação do dólar acima de R$ 1,90 nos últimos dias. "O Banco Central, no intuito de acalmar o mercado e diminuir a volatilidade aumentou consideravelmente a oferta de papéis cambiais de curto prazo (desde o dia 20, quando o BC voltou a ofertar hedge mais curto ao mercado, ele já colocou aproximadamente R$ 9 bilhões desses papéis)".
Colaboram para esse cenário mais pressionado, entre outros motivos:" a) a ausência de novas privatizações; b) a queda nas exportações, que por sua vez geram menores fluxos de antecipações de dólares; c)os pagamentos ainda elevados de financiamentos de importações do passado; d) o humor ainda ruim por parte do mercado internacional, em relação às economias da América do Sul; e) a proximidade das eleições presidenciais na Argentina; e f) o desinteresse por parte das empresas financeiras ou não, em captar recursos no mercado internacional, devido ao alto grau de incerteza presente no mercado cambial".


