Inflação derruba aplicações em janeiro
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Sergio Lamucci 
São Paulo, 31 (AE) - Todas as aplicações financeiras perderam da inflação medida IGPM, da FGV, em janeiro. Enquanto esse índice ficou em 1,24%, os CDBs para grandes quantias, as aplicações mais rentáveis do mês, pagaram apenas 1,16%. O investimento em ações, que prometia rentabilidade interessante, decepcionou em janeiro. O IBovespa, que mede a variação das ações mais negociadas da Bolsa paulista, fechou o mês em baixa de 4,11%.
O temor de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) eleve os juros de forma mais agressiva, para conter pressões inflacionárias e esfriar a economia, provocou sobressaltos nos mercados acionários do mundo todo. Os analistas
que apostavam que o Fed aumentaria as taxas em 0,25 ponto porcentual, passaram a acreditar que a alta deve ser de 0,50 ponto porcentual, pois o ritmo de crescimento da economia norte-americana está muito acelerado. O Fed reúne hoje e amanhã para decidir sobre o nível de juros.
Como a Bolsa paulista havia subido muito nos últimos meses, os investidores aproveitaram para vender parte da carteira de ações, num movimento de realização de lucros.
O anúncio da troca de ações da Telesp por papéis da Telefónica, que deve ocorrer no começo do segundo trimestre, foi um dos fatores que movimentou o mercado no meio do mês, fazendo com que o IBovespa fechasse no dia 17 a 18.053 pontos, em nível recorde. Além disso, a demanda de investidores estrangeiros por American Depositary Receipts (ADRs, recibos lastreados em ações) de empresas brasileiras negociadas na Bolsa de Nova York deu impulso ao mercado acionário brasileiro no começo do mês. A alta dos ADRs leva à valorização das ações no Brasil, porque as instituições financeiras fazem operações de arbitragem, especulando com a diferença de preços entre os dois mercados.
Mas o temor de alta dos juros norte-americanos e as oscilações da Bolsa de Nova York impediram a continuidade da valorização das ações na Bolsa paulista.
Dólar - O dólar comercial fechou o mês em baixa de 1%. A expectativa de que o País deverá receber volumes expressivos de recursos estrangeiros provocou a queda das cotações. As instituições financeiras que apostavam na alta do dólar desmontaram posições compradas no mercado de câmbio, aumentando a oferta de moeda norte-americana. O dólar paralelo também fechou em queda, de 0,66%.
Renda fixa - As aplicações de renda fixa renderam abaixo da inflação, mas pelo menos tiveram rendimento positivo no mês. Os CDBs para grandes quantias pagaram 1,16%, seguidos pelos fundos DI, que renderam 1,13%.
A caderneta continou a pior opção da renda fixa em janeiro, com rentabilidade de apenas 0,71%.


