Rio, 8 (AE) - A inflação de setembro foi de 0,31%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Economia (IBGE). O instituto também informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) aumentou 0,39% no mês passado. Os números mostram que os consumidores com menor rendimento foram mais atingidos pela inflação. O IPCA calcula o custo de vida para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, e o INPC, para famílias com renda entre um e oito salários mínimos. Em ambos os índices, houve queda em comparação à inflação registrada em agosto, quando o IPCA ficou em 0,56%, e o INPC, em 0,55%.
A queda foi obtida porque a variação de preços dos produtos não-alimentícios, menor do que a registrada em agosto, compensou o reajuste dos alimentos. Índice oficial da política de metas de inflação do Banco Central (BC), o IPCA acumulou alta de 6,01% de janeiro a setembro. Os técnicos do IBGE calculam que há condições para que a taxa do ano fique igual ou menor a 8%, número estabelecido pelo Ministério da Fazenda para ser a meta de inflação deste ano a ser alcançada pelo BC.
Último trimestre - "Faltam apenas três meses para o ano terminar, e não há sinalização de nenhuma influência de impacto nos preços", avaliou a gerente da área de Preços do IBGE, Márcia Qunstlr. Ela explicou que, neste ano, ao contrário do que acontece normalmente, o último trimestre deve ter uma taxa de inflação igual ou menor do que a do trimestre anterior, quando o custo de vida costuma baixar por causa das liquidações de roupas e do aumento da oferta de alguns produtos agrícolas. A economista lembrou que o custo de vida entre julho e setembro foi afetado pelos aumentos das tarifas e dos remédios, uma influência que não é costumeira no período. Assim, a inflação no penúltimo trimestre do ano foi de 1,97%, enquanto que, no mesmo período do ano passado, houve deflação de 0,85%, segundo o IPCA.
Para o BC alcançar a meta de inflação, o índice terá de variar em torno de 1,9% de outubro a dezembro.O técnico do IBGE Sérgio Monteiro Marques acrescentou que outro fator que pode contribuir para a obtenção da alta de 8% é a tendência de queda nos produtos agrícolas. "Temos previsão de safras boas chegando", afirmou.
Em setembro, os alimentos tiveram reajustes de 0,34%, acima da taxa de 0,13% de agosto, segundo a variação medida pelo IPCA. O mesmo índice mostrou que os produtos não alimentícios aumentaram 0,30%, índice 0,38 ponto percentual menor do que o do mês anterior. No INPC, os alimentos, que têm maior peso no cálculo do índice, aumentaram mais: 0,50%, enquanto que no mês anterior, a alta foi de 0,16%. Os produtos não alimentícios aumentaram 0,34%, menor do que o índice de 0,79% captado pelo INPC de agosto.
Feijão - O feijão carioquinha foi o produto que mais aumentou em setembro, segundo o IBGE. O reajuste foi de 37,23%, no IPCA, e de 35,58%, no INPC. Outros reajustes de impacto, captados pelo IPCA, foram os do açúcar cristal (13,32%), batata inglesa (6,54%), fubá de milho (3,09%), farinha da mandio (2 99%), óleo de soja (1,69%) e carnes (1,21%). O vestuário, que teve queda de 0,12% nos preços em agosto, por causa das liquidações, voltou a aumentar em setembro, com variação de 0 35%, segundo o IPCA.
Foi justamente o baixo consumo de feijão carioquinha no Rio de Janeiro que fez com que a região metropolitana tivesse a menor inflação de setembro, de 0,10%, segundo o IPCA, explicou Márcia. "No Rio, há maior consumo de feijão preto". Brasília (DF) teve a maior alta, de 1,14%. A gerente do IBGE lembrou que, na capital federal, há um grande consumo de açúcar cristal, que influenciou o índice.

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