Inflação bate 9,12% no semestre e pode chegar a 10%, prevê FGV
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 7 (AE) - A inflação no primeiro semestre chegou a 9 12%, segundo o Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O número inclui a alta de 0 78% registrada entre os dias 21 e 30 de junho, divulgada hoje pela Fundação como a primeira prévia do IGPM de julho (a primeira prévia do índice de um mês calcula o comportamento dos preços dos últimos 10 dias do mês anterior, porque o período é usado como base para o cálculo para a variação do custo de vida).
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, alertou que, em julho, a inflação acumulada deve chegar a 10%, por influência do clima frio, que prejudicou a oferta de alguns produtos agrícolas, e dos reajustes das tarifas públicas. O índice acumulado para o ano deve ficar entre 12% e 14%, calculou o economista.
"Tudo subiu consideravelmente", constatou Cota, ao comentar os resultados da primeira prévia do IGPM de julho. Dos três índices que compõem o IGPM, a maior alta foi do Índice de Preços no Atacado (IPA), de 0,89%. A alta dos Índice e Preços ao Consumidor (IPC) foi de 0,76%, e do Índice Nacional de Custos da Construção Civil (INCC), de 0,19%.
O IPC, indicador similar ao Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), usado para determinar as metas de inflação do governo, deve fechar entre 8% e 10%, dentro da previsão oficial, afirmou o economista. No primeiro semestre, o IPC ficou acumulado em 4,86%. Nos últimos 10 dias de junho, a inflação no varejo teve influência forte da alta de 0,86% dos gastos com habitação. Além disso, o preço dos alimentos, que vinham sofrendo reduções, permaneceram estáveis.
O resultado do IGPM no primeiro semestre, lembrou o chefe do Centro de Estudos de Preços, tem forte influência de fatores que não se repetirão, como o reajuste de várias tarifas públicas em um mesmo período. O pico da inflação deve ser neste mês, afirmou Cota, por causa de aumentos nos grupos de alimentação, habitação, saúde e cuiddos pessoais e transporte.
A partir de agosto, já é possível esperar nova redução da inflação, e até deflação, de acordo com as estimativas do chefe do Centro de Estudos de Preços. "Mas vai depender do nível da atividade econômica", ponderou. "Com a recessão em que a economia se encontra, há uma inflação reprimida", argumentou.


