Inflação baixa deve permitir queda de juro a 39%, prevê G.Sachs
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domingo, 04 de abril de 1999
Por Inaiê Sanchez e Suzi Katzumata 
São Paulo, 5 (AE) - A divulgação dos recentes indicadores de inflação, melhores que as expectativas mais otimistas, estão entre os fatores que podem encorajar o Banco Central a reduzir a taxa Selic dos atuais 42% para 39% a 38%, aponta Paulo Leme, economista-chefe da Goldman Sachs baseado em Nova York. "Tal corte já está precificado nos futuros e pode continuar impulsionando os mercados acionários. Contudo, acreditamos que seria aconselhável o BC agir da forma mais conservadora possível", diz Leme.
Para o economista, até agora a abordagem brasileira para combater a crise tem funcionado muito bem. Tal estratégia reúne uma forte política fiscal (os números de fevereiro são favoráveis), uma política monetária apertada (realizada em março), o inteligente apoio do FMI para permitir uma forte intervenção do BC no mercado de moeda e a recuperação do financiamento externo.
"O objetivo da tática é o de impulsionar a entrada de capitais, causar uma valorização nominal da taxa de câmbio e, assim, estourar a bolha inflacionária e abaixar as taxas nominais de juros".
Leme aponta que a queda do índice IGP-M é, em parte, devido à valorização de 21% da taxa cambial. "Se tal tendência prosseguir, o IGP-M pode terminar 1999 abaixo dos 20%, possivelmente por volta dos 18%. Tudo dependerá da habilidade do governo de assegurar o necessário financiamento externo e evitar deslizes no programa fiscal", avalia.
Para a Goldman Sachs, as CPIs representam os principais riscos para esse círculo positivo, particularmente as investigações do setor financeiro. "Muito barulho nessa área poderia jogar areia nas expectativas e evaporar o incipiente financiamento externo, pondo em perigo, particularmente, a retomada do comércio e das linhas de crédito interbancário", avalia Leme.
Ele diz que a recuperação brasileira é bem-vinda e propicia um melhor panorama de curto prazo para o mercado doméstico e também para os emergentes. Contudo, aponta que as contas fiscais e externas permanecem extremamente vulneráveis a reviravoltas no sentimento, financiamento externo e choques políticos locais. "Portanto, mantemos nosso tom de cautela sobre o Brasil", afirma o economista.
Quanto aos juros, por sua vez, Larry Brainard, chefe do Departamento de Pesquisa Global do Chase Manhattan, aponta que a Selic poderia ser reduzida até para 37% em muito breve.


