Inflação aumenta mais do que o esperado e juros podem subir
Washington, 14 (AE-AP) - Os preços ao consumidor nos Estados Unidos subiram 0,7% em abril, no ritmo mais rápido dos últimos nove anos, suscitando temores de um surto inflacionário e de elevação dos juros, já que também as vendas cresceram 1,1% em março, enquanto os salários, em termos reais, ficaram praticamente estagnados.
Os indicadores, divulgados hoje pelo Departamento do Trabalho e pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, derrubaram as cotações das ações norte-americanas e abalaram também as bolsas européias e latino-americanas, pois uma desaceleração forçada da economia que serve como locomotiva para o crescimento mundial poderá afetar o desempenho nos demais países.
Conforme dados do Departamento do Trabalho, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,7% no mês passado, ante os 0 2% registrados em março, em decorrência da alta da gasolina e de outros derivados de petróleo, o que provocou a elevação de quase todos os demais itens, do vestuário, às tarifas aéreas e os cigarros. Segundo os analistas, o Fed não teria antecipado a surpreendente alta no preço do petróleo no mercado internacional.
O núcleo do índice de inflação em abril superou todas as expectativas, registrando uma alta de 0,4%, ante um crescimento de apenas 0,1% no mês anterior. Os preços da energia, que são responsáveis por mais de 10% do índice, subiram 6,1%, enquanto a gasolina nas bombas aumentou surpreendentes 15%, uma alta recorde. Os cigarros também tiveram seus preços elevados em 3,6%
após recuo de 3,5% em março em decorrência dos descontos oferecidos pelos fabricantes.
Os alimentos, responsáveis por 5% do índice, aumentaram só 0 1%, depois de registrar uma elevação de 0,1% em março, mas as tarifas aéreas tiveram alta de 2% e os automóveis 0,1%. Também o vestuário apresentou a maior alta desde março de 1990, com uma variação de 1,5%. Já as despesas médicas subiram apenas 0,4%, depois de uma elevação de 0,8% no mês anterior por causa do aumento dos medicamentos, enquanto os computadores pessoais recuaram mais 1,4%, ante uma queda de 3,5% em março.
Também a produção industrial, mineral e de energia apresentou crescimento de 0,5% em março, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Essa foi a maior alta na produção da indústria norte-americana desde agosto do ano passado, quando a General Motors reiniciou as atividades após uma greve que paralisou a empresa por longo período.
O relatório do Fed revela ainda que a produção de automóveis e caminhões aumentou 2,9% em abril e os economistas acreditam que essa alta deverá continuar nos próximos meses dado o vigor da economia do país. O excesso de demanda já levou a Ford e a GM a anunciarem planos de expansão da produção no segundo trimestre.
De modo geral, a produção de manufaturados avançou 0,6% no mês passado, ante uma alta de 0,4% em março, enquanto a de minerais subiu 0,1% e a de serviços públicos, como energia, 0 7%. Outro relatório revela que o uso da capacidade industrial instalada aumentou de 80,4% em fevereiro para 80,6% em março.
As empresas, porém, continuam reduzindo o número de trabalhadores, embora o número de horas trabalhadas nas fábricas tenha aumentado em abril, depois de três meses consecutivos de queda. Dados mais recentes indicam que no mês passado foram demitidos 407 mil trabalhadores mais que no mesmo período do ano passado.
Os dados sobre produtividade fora do setor rural, divulgados no início da semana, indicam aumento de 4% no trimestre, em cifras anualizadas. Más só a produtividade do setor de manufaturados havia crescido 5,8% no período.
Os pequenos ganhos salariais verificados em abril associados ao aumento dos preços fizeram com que os ganhos reais (acima da inflação) dos trabalhadores norte-americanos no mês aumentassem apenas 0,2%. Essa foi a terceira queda este ano, embora menor que a de março: 0,5%.
A divulgação dos indicadores jogou por terra as boas expectativas dos investidores norte-americanos e até dos europeus, que reagiram à perspectiva de elevação do custo do dinheiro nos EUA, de modo a forçar uma desaceleração do ritmo de atividade. Refazendo as previsões, o mercado já não descarta a possibilidade de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto porcentual até setembro, embora não esteja trabalhando com um aumento imediato das taxas, que desde o ano passado estão em 4,75%. Isso porque, a economia norte-americana, como diz o presidente Bill Clinton, ainda está sadia.





