Inflação anual prevista pela Fipe cai de 12% para 7%
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 5 (AE) - A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) já prevê que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) feche este ano com uma variação acumulada em torno de 7%. Esse resultado é substancialmente menor que os 12% projetados em janeiro, quando houve a desvalorização cambial, e inferior aos 9% previstos nas últimas semanas.
Na atual conjuntura, inflação menor é um fator de alívio para a recessão, porque corrói menos o poder aquisitivo do consumidor e não provoca queda tão significativa no nível de produção e emprego, explica o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo.
O economista decidiu rever seus cálculos do índice para o ano depois do resultado obtido em abril, que reforçou a tendência de queda da inflação. O IPC do mês passado ficou em 0 47%, ante 0,56% registrado em março e 0,62% em igual período do ano passado.
As previsões iniciais apontavam para uma taxa de 2% em abril que, posteriormente, foi reduzida para 0,8% e 0,5%. Para maio, a expectativa é que o IPC volte a subir e fique em 0,6%.
"Considerando o índice acumulado no primeiro quadrimestre (2,97%) e projetando uma taxa média mensal de 0,5% para os próximos oito meses - que é uma estimativa conservadora -, chegaremos no fim do ano com um IPC em torno de 7%, a não ser que ocorram fatos difíceis de serem previstos como, por exemplo, um choque externo ou geadas", diz Heron.
Ele ressalva que os índices de preços ao consumidor de outras regiões do País poderão acumular no ano resultados diferentes do IPC da Fipe, mas não deverão superar 10%. Essa nova projeção, segundo Heron, é factível porque nos últimos anos
de julho a setembro, o IPC tem registrado taxas muito baixas, inclusive deflação. Se isso ocorrer, esse resultado compensaria um provável repique de preços no fim de ano por causa da demanda mais aquecida ou índices maiores em maio e junho por conta de aumentos de tarifas.
Alimentos - No mês passado, o grupo alimentos foi o principal responsável para que o IPC ficasse em 0,47% e abaixo do esperado. Mas a perspectiva é que a comida volte a pressionar o índice neste mês que deverá ficar em 0,6%. Em abril, os alimentos recuaram, em média, 1,18% e contribuíram 0,36 ponto porcentual para que o índice ficasse num nível menor.
A carne bovina, por exemplo, teve queda de 1,56%; o frango ficou 4,13% mais barato; o feijão recuou 10,93%; o arroz, 5,8%; o óleo de soja, 4,96% e o pão francês, 1,51%.
Heron argumenta que os preços desses produtos subiram muito em janeiro e fevereiro por causa da alta do dólar e agora estão recuando em função do câmbio e da safra de grãos. A queda mais expressiva ocorreu com os alimentos semielaborados, que ficaram 2,67% mais em conta. Apesar desse recuo, no ano, os preços dos alimentos subiram 3,47%, bem acima da inflação acumulada no período, de 2,97%.
O impacto da queda dos alimentos no IPC da Fipe mais que compensou a pressão de alta do vestuário. Esse foi o grupo que mais subiu em abril e ficou 6,5% mais caro, ante a expectativa de alta de 7,5% e aumento de 5,5% registrado em abril de 1998.
De acordo com Heron, no IPC da Fipe, a queda de um ponto porcentual nos preços médios dos alimentos compensa a alta de quatro pontos porcentuais no vestuário. A tendência é que os artigos de vestuário continuem subindo ainda na primeira quadrissemana deste mês, por causa do Dia das Mães, e os preços recuem a partir da segunda semana de maio.
O grupo habitação fechou o mês com alta de 0,50%. Heron destaca que os artigos de limpeza; cama, mesa e banho; aparelhos de imagem e som e utilidades domésticas registraram abril taxas bem superiores à inflação do período, ainda refletindo o impacto do câmbio. "Muitas matérias-primas foram compradas dois meses atrás."
O aluguel, no entanto, que faz parte do grupo habitação, caiu 0,17% em abril, ante um recuo de 0,08% no mês passado e perspectiva de estabilidade. Na análise de Heron, essa mudança de rota reflete que a perspectiva de inflação mais baixa já foi incorporada pelo proprietários de imóveis e que, portanto, deixaram de lado a possibilidade de reajustes diante da inflação menor.
O grupo transportes fechou o mês com variação de 0,45%, puxado especialmente pela alta da gasolina. Pela segunda semana consecutiva, esse foi o produto que mais subiu (4,49%) e influenciou o IPC. Nas contas de Heron, o combustível deve continuar pressionando o índice nas próximas semanas e só deverá refluir no fim de maio.
Os gastos com despesas pessoais subiram menos em abril (0,17%) em relação a março (1,04%), enquanto a saúde (1,31%) e a educação (0,27%) voltaram a registrar índices positivos em igual período, pressionados pelos aumento dos remédios (2,09%) e do material escolar (1,51%), respectivamente.


