Rio, 10 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas (FGV) apurou inflação de 5,58% no varejo entre janeiro e julho, taxa um pouco superior aos 5,09% registrados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do governo. Em julho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV foi de 1,20%, também próximo ao 1,09% do IPCA. "A inflação de 1999 deve ser de 8% a 10%, dentro da margem permitida pelo governo no sistema de metas", afirmou o chefe do centro de estudos de preços da FGV, Paulo Sidney Cota.
As maiores altas no mês passado foram registradas nos grupos de transportes (4,40%), com destaque para gasolina (13 66%); saúde e cuidados pessoais (2,26%); e habitação (1,26%), pressionada pelo aumento das tarifas de eletricidade (5,78%) e gás de bujão (11,83%).
Ao contrário do IPCA, que, mesmo com a alta dos preços de carne e laticínios registrou deflação nos alimentos, o IPC apurou aumento de 0,19% nos gêneros alimentícios em julho. No varejo, apresentaram deflação apenas os itens vestuário (0,89%), em função da liquidações, e despesas diversas (0,68%), "influenciadas pelo rebaixamento de categoria de algumas marcas de cigarro, que ficaram mais baratas", explicou Cota.
"Em julho houve deflação, mas em agosto e setembro o quadro não será o mesmo", disse o economista. Haverá pressão dos preços de saúde e do aumento das passagens de ônibus em São Paulo. "Em agosto vestuário dará um refresco, por causa das liquidações, mas em setembro os preços voltam a subir", completou.
O Índice Geral de Preços (IGP-DI) - formado pelo IPC, pelo Índice de Preços por Atacado (IPA) e pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) - foi de 10,20% no acumulado do ano e de 1,59% em julho. A previsão da FGV é um índice de 13% a 14% este ano.
Entre junho e julho, houve desaceleração nas altas de bens de consumo - 1,56% para 1,41% - e produtos agrícolas - 2 34% para 1,53%. Mas no grupo de produtos industriais houve aceleração de 0,89% para 2,26%, com destaque para a alta de 10 14% no segmento de combustíveis e lubrificantes. No setor de bens de produção também foi registrado aumento: de 1,25% para 2 34%. Na construção civil, os preços caíram, em média, 0,05 ponto percentual em relação a junho. A variação dos preços em julho foi de 0,46%.

mockup