Rio, 10 (AE) - A inflação do ano já acumula uma variação de 5,09% até julho, o que representa 64% da meta de inflação estipulada pelo governo para este ano. A taxa foi calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado hoje. O acumulado até agora - mais do que o dobro da inflação apurada nos sete primeiros meses do ano passado - foi impactado pela desvalorização da moeda e pelos reajustes das tarifas públicas.
"O terceiro trimestre sazonalmente tem taxas mais baixas, tanto por causa do período de safra na agricultura quanto pelas liquidações do vestuário", explicou a chefe do departamento de índices de preços do IBGE, Márcia Quintslr. Mas o resultado de julho, que apresentou alta de 1,09% - mais de cinco vezes a inflação de junho - foi atípico, segundo Márcia, justamente por causa do aumento de tarifas, concentrado no mês.
O IPCA baliza o sistema de metas adotado pelo governo, que estabeleceu taxa de 8% para a inflação de 1999. Historicamente, o IPCA vinha caindo de junho para julho: 1,19% para 1,11% em 1996; 0,54% para 0,22%, em 1997, e 0,02% para 0 12% negativos em 1998. Mas os preços administrados - tarifas públicas, combustíveis, transportes e remédios - foram responsáveis por 1,06 ponto percentual do aumento de julho.
A alta foi liderada pela gasolina, que teve variação de 12,49% no IPCA de julho e de 36,52% no acumulado do ano. Os artigos de vestuário, entretanto, subiram 0,47% em julho, abaixo da alta de 0,74% do mês anterior. E os alimentos continuaram segurando a inflação. A variação dos alimentos e bebidas foi negativa em julho, de 0,24%, pelo quarto mês consecutivo.
Agosto, segundo Márcia, ainda refletirá o aumento de 9% da gasolina nas refinarias, autorizado pelo governo na semana passada, que desencadeou reajustes de mais de 10% nos postos revendedores. Além disso, haverá um resíduo do aumento da energia elétrica.
"Mas a taxa de agosto pode ter queda em relação a julho", afirmou. De janeiro a julho, houve impacto no IPCA dos reajustes de energia elétrica (15,09%), ônibus a distância (4 48%), telefone (9,68%), táxi (3,55%), tarifas de água e esgoto (3,41%), ônibus urbanos (10,57%) e remédios (13,60%).
O IPCA abrange as famílias com rendimento entre um e 40 salários mínimos, em nove regiões metropolitanas mais o município de Goiânia e o Distrito Federal. Nos últimos 12 meses, a variação foi de 4,57%, também mais alta do que o índice de 3 32% nos 12 meses encerrados em junho.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se restringe às famílias que ganham até oito salários mínimos, registrou inflação de 0,74% em julho, dez vezes a inflação de junho. O acumulado do ano foi de 4,63%, ante 2,95% até junho, e a variação nos últimos 12 meses foi de 4,16%, acima dos 3,10% dos 12 meses anteriores. Excluindo os preços administrados, que contribuíram com 0,78 ponto percentual para a taxa de julho, o índice do mês seria negativo em 0,04%.
No acumulado do ano, o IPCA foi de 5,50% no Rio, 7,81% em Porto Alegre, 5,68% em Brasília, 6,35% em Curitiba e 5,58% em Goiânia. As regiões que tiveram inflação acumulada menor do que a média, de 5,09%, foram São Paulo (4,34%), Belo Horizonte (4 76%), Recife (4,96%), Belém (4%), Fortaleza (4,99%) e Salvador (4,72%).
Em julho, a maior variação regional - 1,93% - foi registrada em Goiânia. A taxa foi puxada pela alta de 26,24% no preço da gasolina. O Rio foi o segundo maior índice - 1,56% -, por causa do aumento das tarifas de ônibus urbanos. Do reajuste de 14%, 10 pontos já refletiram na inflação do mês. O vestuário também subiu mais do que a média: 0,70%, ante 0,47%.

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