BRASÍLIA - O anúncio, em alto-falante, da presença de dois supostos ‘‘agentes infiltrados’’, tornou tenso o clima ontem à tarde, durante assembléia dos trabalhadores sem-terra alojados em um ginásio na cidade-satélite do Gama, a 35 quilômetros de Brasília. Marisa Zamirato e Elmo Pinheiro foram surpreendidos ao serem levados para o palco - onde José Rainha Júnior acabara de falar - e apresentados como ‘‘pessoas infiltradas pela polícia’’. A reação foi tumulto e correria.
Os dois foram levados para fora do ginásio, seguidos pelos sem-terra, que, entre vaias e xingamentos, por pouco não derrubaram o portão do ginásio para acompanhar os supostos ‘‘agentes’’ até o carro da Polícia Militar. De acordo com Enio Bonemberger, da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), já havia algum tempo que a segurança do movimento estava investigando Marisa, Elmo e Santana, este último ausente ontem do alojamento.
Os três ingressaram na marcha dos sem-terra em Campinas (SP), e, segundo Bonemberger, todos que entram na marcha devem informar a que organização pertencem. ‘‘Nós checamos as informações dos três, e não encontramos ligações deles com entidades’’, afirmou o diretor. Nervosa, Marisa argumentou que era professora aposentada e que ingressara na marcha ‘‘por paixão à causa’’. Bonemberger disse que a desconfiança ficou maior quando, há cinco dias, foi encontrado em um carro do MST um bilhete em uma pasta pertencente a Elmo. ‘‘O bilhete era endereçado a um comandante Jorginho e dizia que coisas deviam ser entregues a Elmo, à Marisa ou à Santana, o que nos leva a crer que eles estavam passando informações para a polícia’’, disse Enio.

mockup