Infiltração pode ter provocado desabamento
São Paulo, 07 (AE) - Avaliação preliminar feita hoje por técnicos do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) apontou fadiga do material da "tesoura central do telhado (vigamento de madeira) por infiltração de água nas laterais". Segundo Carlos Alberto Venturelli, diretor do órgão, o telhado era muito antigo e havia muitas infiltrações.
"Estamos com os laudos de 1994 que atestam as condições de segurança do imóvel", afirmou. "De lá para cá os proprietários não enviaram novos laudos e para a Prefeitura tudo estaria funcionando normalmente."
Segundo Venturelli, os responsáveis pela edificação perante a Prefeitura são os técnicos (um arquiteto e um engenheiro elétrico) que assinam o laudo. "Se eles não são mais os responsáveis, deveria ter sido dado baixa de responsabilidade na Prefeitura."
Pao de Açucar - O representante do Grupo Pão de Açúcar, Caio Mattar, esteve no local e informou que o departamento de obras da empresa avaliou e aprovou as condições de segurança do prédio antes da abertura da loja em meados de fevereiro. "Tivemos uma reforma de 15 dias a partir do dia 1.º de fevereiro, mas nada estrutural."
Segundo Mattar, as responsabilidades serão apuradas pela empresa. "O Pão de Açúcar é uma empresa muito preocupada com segurança e ainda é muito cedo para dizer o que aconteceu." Mattar afirmou ainda que todas as vítimas estão sendo acompanhadas por assistentes sociais da empresa. "Não deixaremos faltar nada para essas pessoas." O representante da empresa lembrou que a forte chuva de ontem (06) pode ter influenciado o desabamento.
O Auto de Verificação de Segurança (AVS) da sede do supermercado Pão de Açúcar, na Rua Tabapuã, 1.033, foi emitido em 1994 e estava em ordem, segundo a Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal da Habitação (Sehab). O AVS é permanente e não implica vistorias periódicas. Segundo a Sehab, depois de sua emissão, o proprietário é o responsável pela manutenção e segurança do imóvel.
O açougueiro Alexandre Roberto, de 20 anos, trabalha no Pão do Açúcar do Portal do Morumbi. Era horário do almoço e Roberto aproveitava para ver televisão, instalada no refeitório. As imagens do desabamento assustaram-no. "Meu Deus, meu primo trabalha lá", gritou.
Tomou um ônibus. Quando chegou à Rua Tabapuã, ficou mais assustado ainda. Seu primo Edmilson Aparecido Silva estava no Hospital das Clínicas. "Foi apenas um ferimento na perna; não é nada grave", tranquilizaram os bombeiros. Mais calmo, procurava entre os entulhos as roupas do primo.





