Infertilidade atinge 7 milhões no Brasil
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sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Para um casal com boa saúde e até 30 anos de idade, a probabilidade de que o espermatozóide fertilize o óvulo durante a relação sexual é de 80%. Até a data em que deveria ocorrer a primeira menstrução, no entanto, 50% desses óvulos fecundados deixarão de se desenvolver e, entre os embriões remanescentes, um quarto corre o risco de morrer. Isso significa que, com uma frequência de três relações sexuais por semana, as chances desse casal engravidar são menores que 20% ao mês. Índice esse que reduz -e muito- a partir dos 30 anos de idade, quando começa a cair a quantidade e qualidade dos óvulos produzidos pela mulher.
Com tanta dificuldade, não estranha a constatação de que, no Brasil, 7 milhões de pessoas têm problemas de infertilidade, e que dois a cada dez casais têm dificuldades para engravidar. Ao contrário do que a maioria acredita, a infertilidade não é um problema feminino. Ela ocorre em igual proporção em homens e mulheres, responsáveis cada um por iguais 40% dos casos. Em outros 10%, tanto o homem como a mulher apresentam problemas. Nos 10% restantes, a causa é desconhecida.
Dados médicos revelam que pelo menos metade desse contingente precisará recorrer a tratamentos com técnicas mais avançadas, como a fertilização in vitro. A boa notícia nesses casos refere-se ao sucesso dos tratamentos. Hoje, para mulheres até 35 anos, a reprodução assistida alcança taxas de até 55% de chances de nascimento por tentativa. ''Não se usa mais o termo estéril'', diz o médico Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana, referindo-se ao fato de que, com a evolução dos tratamentos, todos os problemas passaram a ser vistos como passíveis de solução.
Infertilidade é um distúrbio ou condição do sistema reprodutivo masculino ou feminino que reduz a capacidade de ter filhos. Um casal é considerado infértil quando não consegue conceber após um ano a 18 meses de relacionamento sexual frequente e sem o uso de contraceptivos. Por isso a orientação dos médicos é que só após esse período de tentativas, os casais procurem ajuda médica. Mulheres acima de 35 anos devem procurar um especialista após seis meses, uma vez que quanto mais avançada a idade, menor é a chance de gravidez.
O mesmo procedimento deve ser adotado por casais que sabem ter problemas que predispõem à infertilidade, como a endometríase, gravidez tubariana anterior, ciclos menstruais iregulares, reserva ovariana diminuída, síndrome de ovário policístico, cirurgias ovarianas e tubárias anteriores e alteração importante no espermograma.
''A principal causa da infertilidade hoje é provocada pela própria mulher. Ela quer primeiro fazer carreira, ter independência financeira e adia a maternidade. Quando vai tentar ter filhos, com mais de 30 anos, sua chance de engravidar é bem menor'', diz. O problema acontece porque, com o passar dos anos, os óvulos perdem a qualidade e, por fim, acabam. Isso ocorre a partir dos 35 anos e acentua-se significativamente após os 40.
Estudos feitos com mulheres com dificuldades de engravidar mostraram que 35% tinham problemas de ovulação; 35%, obstrução tubária; 20%, endometríase, e os outros 10% tinham causas diversas. ''Na mulher, a causa varia conforme a camada da população a qual ela pertence'', avalia o médico Alessandro Schuffner, da Clínica Androlab, de Curitiba.
Entre mulheres de baixa renda, a maior incidência são problemas nas trompas ou tubas uterinas. Pode haver obstrução ou aderência das trompas, resultado de cirurgias anteriores e procesos infecciosos mal cuidados. Em mulheres de classe média, os problemas de ovulação e endometríase são mais frequentes. Estima-se que 6% a 7% das mulheres tenham endometriose, o que não significa que todas terão problemas para engravidar. Trata-se de uma doença em que pedaços do endométrio, tecido que reveste o útero internamente, migram e se fixam em outras partes do organismo, normalmente no abdômen, o que pode gerar um processo inflamatório que impede a gravidez. Entre as disfunções ovulatórias, a mais comum é o ovário policístico.
Nos homens, a principal causa é a varicocele, que altera a quantidade e qualidade dos espermatózóides. Outras causas são processos inflamatórios ou infecciosos que levam a uma obstrução das vias seminais. Os médicos advertem, ainda, que os homens façam ainda jovens o espermograma, exame que avalia a qualidade e quantidade dos espermatozóides. Detectado o problema, ele poderá se submeter a tratamento. Caso contrário, poderá ficar sem estoque de espermatozóides.


