Imagem ilustrativa da imagem Infectologistas dizem que vão passar os festejos de fim de ano em casa

Uma pesquisa informal realizada com 67 infectologistas membros da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) revelou que a maioria deixará de comparecer em jantares ou eventos familiares para optar por passar as festas de final de ano em sua própria casa, ao lado de membros da família que já fazem parte do convívio diário. O motivo é o risco de transmissão da Covid-19, especialmente aos idosos e demais pessoas que fazem parte do grupo de risco. Os profissionais de saúde foram questionados em meio a um cenário de avanço da pandemia no Brasil, o que fez parte do grupo entrevistado mencionar que chegou a fazer planos de rever amigos e familiares ou viajar durante as festividades, porém decidiu voltar atrás.

De acordo com o levantamento, a ampla maioria (70%) disse que passará o Natal em casa, ao lado de membros da própria família. Este será o caso da infectologista e docente da disciplina no HU (Hospital Universitário) da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Zuleica Tano, 51, que passará o Natal em casa, apenas com o marido e o filho. Ela conta que, assim como todos os profissionais de saúde do HU, ainda enfrenta muitos desafios que não permitirão uma “pausa” para descanso nos dias 24 e 25 de dezembro. “Temos um colaborador essencial internado, o número reduzido de pessoas, furos na escala tanto na medicina quanto na fisioterapia”, exemplifica.

Questionados se o avançado cenário epidemiológico em que o País se encontra teria influenciado nos planos para o final do ano, 55% responderam negativamente uma vez que já haviam decidido passar as festas com as pessoas que fazem parte de seu círculo próximo. Por outro lado, 39% afirmaram terem mudado seus planos.

“Em outubro, final de setembro, imaginávamos que poderíamos passar com a família, mas os planos foram mudando. Hoje em dia, nem minha mãe quer que passemos juntos, todos estão muito assustados. Nesse momento o que podemos fazer pelas pessoas que gostamos é não fazer aglomerações, para que possamos cessar essa transmissão”, analisou a médica.

A pesquisa com os infectologistas também revelou que 18% vão passar a festa de Natal com familiares que vivem na mesma cidade, mas não moram na mesma casa. Com relação à virada de ano, 81% disseram que vão passar em casa.

Cláudia Carrilho, 56, é coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HU. Docente da Infectologia e plantonista, Carrilho avalia que o atual cenário epidemiológico, cujas taxas de ocupação dos leitos exclusivos já chegaram a 93% no final de novembro no HU, é resultado de uma combinação de fatores que tem início na flexibilização das medidas restritivas na cidade. Em seguida, “Comércio, bares e, em seguida, feriadões e eleições”, exemplificou.

Questionada sobre o Natal, afirmou que ainda estava em dúvidas, porém uma solução para poder rever os pais, que são idosos, e os irmãos seria realizar a ceia em uma propriedade rural ao ar livre e sem deixar de lado o distanciamento e as máscaras. “O que as pessoas têm que se conscientizar é que está fora de controle. (...) Se as pessoas continuarem correndo riscos, pode acontecer de não conseguirem vagas de UTI. É preciso uma conscientização, principalmente com pessoas do grupo de risco, para evitar um desfecho triste”, alertou.

Com a mesma preocupação está o infectologista Walton Luiz Del Tedesco Junior, 31. De acordo com ele, que passará o Natal de plantão na Santa Casa de Londrina, todos os hospitais de Londrina já estão com UTIs bastante ocupadas em uma situação nunca antes vista, o que poderá acarretar na escassez de leitos para pessoas sofrerem acidentes, infartos, AVCs (Acidente Vascular Cerebral), dentre outras situações emergenciais. "Estamos em um momento de lotação e se piorar, o prognóstico é muito sombrio. Ainda não passamos por isso", preocupou-se.

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