São Paulo, 02 (AE) - Os médicos que tratam grávidas com aids na rede pública estão mal-informados sobre a gama de atendimento que podem ser oferecidos, disse hoje o infectologista Adauto Castelo Filho. Prova disso é a falta de demanda do Núcleo Multidisciplinar de Patologia Infecciosa na Gestação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - um centro que oferece, gratuitamente, tratamento para a mãe, cuidados para evitar a contaminação da criança e todo o processo pré-natal. "Os meus colegas não sabem da possibilidade de encaminhar a paciente ao núcleo", disse.
Castelo atribui parte dessa falta de divulgação à Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo Programa da Saúde da Mulher. O programa garante um atendimento pré-natal para as mulheres que usam a rede pública. "Quando um médico recebe um exame de HIV positivo, não sabe o que fazer", reclamou. Segundo ele, o programa deveria encaminhar essas mulheres ao núcleo. "Temos um serviço de Primeiro Mundo que não é utilizado".
A Casinha da Aids, como o núcleo é chamado, atendeu, em 98, 119 mulheres. "Temos capacidade para atender cinco vezes mais pacientes". A Assessoria de Imprensa da secretaria informou hoje que as pacientes grávidas com HIV estão sendo encaminhadas para outros serviços na rede pública. Mas, depois de saber das críticas de Castelo, ainda segundo a assessoria, o programa começará a encaminhar grávidas ao núcleo a partir de agora.
De acordo com Castelo, o índice de transmissão do HIV de mãe para filho na Casinha é de 1%. "Esperamos, este ano, chegar a um índice abaixo de 1%", afirmou. Além do serviço de obstetrícia e tratamento da infecção, o núcleo oferece um acompanhamento psicológico e testes para doenças sexualmente transmissíveis. Cada paciente recebe um tratamento personalizado. "Usando testes de alta tecnologia, podemos decidir qual é a melhor combinação de drogas para cada paciente", disse Castelo.
Todo o atendimento é realizado em uma só consulta. "A paciente que chega ao núcleo passa por todas as visitas, faz os testes e sai com a receita na mão", explicou. Segundo o médico, cerca de 0,8% a 1% das mulheres grávidas não sabem que estão infectadas pelo vírus da aids. (G.S.) Mais informações sobre o núcleo pelo telefone (0XX11) 576-4591

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