São Paulo-Uma estimativa recente do Ministério da Saúde aponta que 10 milhões de novos casos de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) surgem por ano no Brasil. Das pessoas contaminadas, apenas 30% procuram os serviços de saúde. No total, o Brasil tem uma prevalência de mais de 30 milhões de infecções sexuais.
Para reforçar as políticas de prevenção e controle das DSTs, o Programa Nacional de DST/Aids do Ministérioi da Saúde está realizando a 1 Oficina sobre Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Uma das coordenadoras do evento, a técnica Helena Brígido, explica que o preconceito associado às DSTs faz com que muitas pessoas prefiram se automedicar, sem no entanto curar a doença. ''Eles procuram farmácia, amigos, se automedicam ou não fazem absolutamente nada. Como algumas DST's involuem espontaneamente, a pessoa acha que está curada e continua transmitindo a doença'', explica.
O assessor técnico do Programa Nacional de DST/Aids, Fábio Moherdaui, explica que é necessário ensinar a população a reconhecer os sintomas e sinais de uma DST. ''Um simples corrimento vaginal ou ferida podem ser sinais. Também é importante facilitar o acesso das pessoas aos sistemas de saúde, públicos ou privados, a fim de que as pessoas recebam atendimento rápido e eficaz''.
Fábio explica que a maior dificuldade para combater as DSTs é ausência de sintomas na grande maioria dos casos, o que dificulta o diagnóstico e tratamento precoce. ''As DST's que apresentam sinais e podem ser conhecidas pelos sistemas de saúde são apenas a ponta de um iceberg'', compara o médico.
Sem cura No Brasil, a maior parte das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) é causada por vírus e não tem cura. Elas podem provocar disfunções sexuais, esterilidade, aborto, nascimento de bebês prematuros ou com problemas de saúde, deficiência física ou mental e câncer.
A mais incidente na população brasileira é o herpes genital, que causa feridas dolorosas nos órgãos sexuais. Outra DST muito comum é o condiloma ou vírus do papiloma humano (HPV), caracterizado por verrugas genitais. Nesse caso, o maior perigo é que a doença se transforme num câncer de colo de útero. Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer) apontam que mais de quatro mil mulheres morreram em decorrência deste tipo de câncer em 2003.
A sífilis também é uma DST que preocupa as autoridades de saúde. O maior risco é o contágio de mulheres gestantes. Se não for tratada, a doença é transmitida para o feto, que nasce com má-formação. O Ministério da Saúde estima que ocorram por ano entre 15 e 20 mil casos de sífilis congênita, embora apenas quatro mil casos sejam notificados por ano.

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