Infecção hospitalar pode ter causado mortes de bebês
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terça-feira, 19 de março de 2002
Agência Folha 
A Santa Casa de Mogi das Cruzes (51 km de São Paulo) já havia sido notificada pela Vigilância Sanitária de que deveria adequar suas instalações desde setembro do ano passado. Mais um bebê morreu na UTI neonatal, na madrugada de ontem. É a décima morte em 19 dias.
Segundo a coordenadora da Vigilância Sanitária na região metropolitana de São Paulo, Iracema Leonardi, há indícios de que algumas das crianças tenham sido vítimas de infecção hospitalar. Colhemos vários materiais necessários para culturas e já está havendo crescimento de alguns agentes patológicos, disse.
Iracema disse que o hospital estava ciente de que deveria a adequar seus recursos humanos e providenciar a análise dos materiais utilizados na UTI. Se tivessem tomado as providências necessárias, talvez a situação hoje fosse diferente, afirmou.
Na semana passada, quando oito crianças já haviam morrido, o hospital divulgou uma nota afirmando que o número de óbitos estava dentro do esperado.
Morrer de infecção hospitalar nunca é normal, diz Iracema. Ela informou que a UTI neonatal está fechada para novos casos e passa por um processo de desinfecção.
O secretário de Estado da Saúde, José da Silva Guedes, disse ontem que o número de bebês mortos não é obrigatoriamente uma catástrofe. O hospital tem, em média, oito óbitos de bebês por mês. Em alguns meses pode haver mais, disse.
Para o secretário da Saúde do município de Mogi das Cruzes, José de Moura Campos Neto, a situação é preocupante, mas não há comprovação de surto de infecção.
A Santa Casa disse que só irá se pronunciar após a conclusão do laudo da Vigilância Sanitária, o que deve acontecer nesta semana.


