Infarto sem dor atinge 20% dos cardíacos
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domingo, 24 de julho de 2005
Fernanda Bassette<Br>Folhapress 
São Paulo, SP- A típica dor no peito que se alastra pelos braços e termina com o infarto do coração não está presente em cerca de 20% das vítimas, que sofrem o chamado ''infarto silencioso''.
Sem apresentar o principal sintoma, essas pessoas têm o ataque cardíaco e chegam a ficar meses com o coração infartado sem saber e sem procurar tratamento. Os primeiros sinais pós-infarto surgem como mecanismo de defesa do organismo.
O infarto acontece quando o abastecimento de sangue para alguma parte do coração é reduzido ou cortado totalmente. Isso ocorre quando uma artéria coronária está obstruída parcial ou totalmente por placas de colesterol.
''Em um infarto normal, se existe um local do coração em sofrimento ele pede socorro, portanto, dói. Mas há pessoas que não sentem absolutamente nada e infartam'', explica José Carlos Nicolau, diretor da Unidade de Coronariopatia Aguda do Incor (Instituto do Coração) de São Paulo.
Nos casos de infarto indolor, a falta de ar é a sequela mais frequente, segundo o professor da Faculdade de Medicina da USP Antônio Carlos Palandri Chagas.
''O coração não pára de bater mas perde a eficiência ao infartar. Com isso, o bombeamento de sangue fica deficiente e a pessoa passa a sentir falta de ar'', explica.
Há também outros sintomas como mal-estar, palidez, suor frio, náuseas, vômitos e até desmaios que aparecem durante o infarto silencioso devido ao mecanismo de defesa do organismo. Normalmente, eles são confundidos com outras patologias.
''Como o corpo retira sangue de suas áreas menos nobres para enviar ao coração, surge a palidez e o suor frio. Na hora é ativado um sistema neuro-hormonal, aumentando os demais sinais'', diz a médica Elaine Farah, da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
O infarto sem dor acontece, na maioria das vezes, em idosos, diabéticos e mulheres. No caso dos diabéticos, a ausência de dor ocorre porque a sensibilidade à dor é alterada nesses pacientes.
De acordo com Otávio Rizzi Coelho, professor de cardiologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), outro agravante para os diabéticos é que sudorese, falta de ar e cansaço são sintomas da hipoglicemia (queda dos níveis de glicose), muito comum entre esses pacientes. ''Cerca de 30% dos diabéticos sofrem esse tipo de infarto.''
Para evitar o infarto, a pessoa deve controlar os níveis de colesterol no sangue, manter a pressão arterial equilibrada, parar de fumar e manter uma dieta saudável.


