Inepar se prepara para atuar no mercado externo
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 27 (AE) - O presidente do Grupo Inepar, Atilano de Oms Sobrinho, declarou hoje que a Inepar S.A. Indústria e Construções quer ir ao mercado externo até o final do ano que vem. A empresa estuda o lançamento de American Depositary Receipts (ADR) nível um, papéis negociados na Bolsa de Valores de Nova York.
Entrar no mercado de ações norte-americano exige um alto grau de transparência nas informações prestadas. Oms Sobrinho reconhece que nem aos acionistas brasileiros é dado esse grau. "Existe uma debilidade na nossa comunicação, mas vamos inaugurar total transparência em 2000", garante.
Os investidores estavam inseguros e, como reconhece também o presidente da Inepar: "Nossas ações tiveram o pior desempenho no último ano e meio". Oms Sobrinho afirma que os índices de desempenho do grupo, como lucro, faturamento e patrimônio líquido, multiplicaram-se nesta década em 30 vezes, em média. "Mas a dívida também se multiplicou", assume. Em março de 1999, a dívida era de R$ 1,6 bilhão, contra um patrimônio líquido de R$ 800 milhões. Até junho, houve uma redução do passivo de R$ 940 milhões.
A Inepar promete uma reestruturação operacional e societária até o final de 2000, e anunciou hoje alguns detalhes. A própria Inepar Indústria e Construção que pode lançar ADR não terá a mesma configuração de hoje. Atualmente, a empresa, além de operadora, é holding dos segmentos de indústrias, construções
energia e telecomunicações. No novo desenho, um Conselho de Desenvolvimento Estratégico assume a função de holding dos negócios.
A Inepar Indústria e Construções será transformada em uma das três unidades de negócios do grupo, aglomerando equipamentos, construções e serviços. As outras duas serão a Inepar Energia S.A. e a Inepar Telecom (ainda em estruturação). "Os investidores tinham dificuldade de entender o que era a Inepar Indústria e Construções", disse Oms Sobrinho.
Se estivesse configurada hoje, a nova Inepar Indústria e Construções teria um faturamento consolidado (apenas a parte da Inepar nos negócios) de R$ 502 milhões em 1999, segundo projeções da Inepar. Em 2003, o faturamento chegaria a R$ 899 milhões.
Até o final da reestruturação, a nova empresa terá uma redução de 16% no quadro de funcionários e de 20% nas despesas operacionais, sem contar depreciações e amortizações - de R$ 126 milhões para R$ 100 milhões. O envidivamento deve diminuir R$ 50 milhões no primeiro ano de operação e a produtividade (faturamento de cada empregado por ano) deve crescer 89% até 2003.
A Inepar também estima que os segmentos de energia e telecomunicações crescerão bastante. O grupo projeta que o faturamento consolidado de telecomunicações pule de R$ 30 milhões este ano para R$ 479 milhões em 2003. No mesmo período, o faturamento com energia deve passar de R$ 107 milhões para R$ 313 milhões.
Os controladores da Inepar anunciaram sua sucessão na gestão dos negócios. "Ficaremos voltados para quatro grandes objetivos: planejamento estratégico, implantação de sistemas de controle de resultados, representação institucional do grupo e representação do grupo nas diversas joint-ventures", informou Oms Sobrinho.


