Miami, 24 (AE) - A Fórmula Indy só terá dois pilotos americanos, Michael Andretti e Jimmy Vasser, amanhã, na corrida de abertura do campeonato, em Homestead, Miami. E isso assusta os dirigentes da Cart - Championship Auto Racing Teams - e das equipes. "A Indy se internacionalizou nos últimos anos. Mas a base dela continua sendo os EUA. Este é um problema que teremos que enfrentar agora. As empresas americanas sustentam a categoria", diz Andrew Craig, presidente da Cart.
De 99 para 2000, quatro pilotos americanos deixaram a Indy. Os veteranos Scott Pruett e Al Unser Jr. decidiram mudar de categoria, passando a competir, respectivamente, na Nascar e IRL. Richie Hearn perdeu a vaga na Della Penna para o argentino Norberto Fontana. E Bryan Herta soube que não correria há uma semana, quando Gerald Forsythe anunciou que fecharia as portas de sua segunda a equipe - a primeira foi a Players.
Os pilotos brasileiros formam maioria folgada na Indy. São nove brasileiros contra três canadenses, dois americanos, dois mexicanos, dois japoneses, dois britânicos, um sueco, um espanhol, um italiano, um colombiano e um argentino. A América Latina, portanto, tem mais da metade do grid, com 13 pilotos entre os 23 confirmados para a primeira prova do ano.
"Felizmente, os dois americanos são ex-campeões. O Vasser, nem tanto. Mas o Michael Andretti tem um nome muito forte nos Estados Unidos. Ele garante o interesse", analisa Mauricio Gugelmin. "Isso aumenta muito minha responsabilidade. Se eu vencer domingo, a Cart já ficará mais tranquila", disse rindo Michael Andretti, no intervalo dos treinos de hoje. E continuou: "Acho difícil uma entidade mudar essa tendência. Foi uma coisa natural e não forçada o que aconteceu. Só se um patrocinador passar a exigir pilotos americanos na sua equipe".
A Players, por exemplo, patrocinadora da Forsythe, só aceita pilotos canadenses na equipe. Ontem, no treino livre, o rookie canadense Alexandre Tagliani, que entrou no lugar de Greg Moore, provocou um acidente estúpido, freando forte nos boxes e deixando travar as rodas. O carro acabou batendo forte no Reynard/Mercedes de Tony Kanaan, avariando a suspensão dianteira. Além disso, dois mecânicos e um fotógrafo acabaram feridos e tiveram de ser atendidos no posto médico. "Levei um susto tremendo", disse Kanaan. A Cart tem 15 das 20 provas nos Estados Unidos. As outras 5 são divididas entre o Canadá (Toronto e Vancouver), Brasil (Jacarepaguá), Austrália (Surfers Paradise) e Japão (Motegi). Alguns pilotos estrangeiros trazem patrocínio externo como os mexicanos. Michel Jourdain é apoiado pela Herdez, marca de temperos, e Adrian Fernandez, pela cervejas Tecate. O espanhol Oriel Servia trouxe para a PPI Motorsports, a mesma do brasileiro Cristiano da Matta, o logotipo da Telefonica. Tony Kanaan é patrocinado pela Hollywood e Luis Garcia Jr. fez um pool com Hollywood, Tang e Embratel para garantir a vaga na Arciero PRG. Os japoneses Takuya Kurosawa e Shinji Nakano trouxeram investimentos dos grupos Avex e MTCI. Outros como os brasileiros Gil de Ferran e Helio Castro Neves, da Malboro International, o sueco Kenny Brack, da Shell ou o italiano Max Papis, da Miller, buscaram recursos em empresas americanas.
Um dirigente da Cart diz que a entidade espera mais investimentos do Brasil. "Entre 96 e 97, com a vinda da Brahma e outras empresas, havia a impressão de que a participação brasileira cresceria. Mas houve um recuo, provavelmente por causa da crise financeira. Mas os pilotos brasileiros ficaram." Um dos problemas no Brasil seria a falta de uma emissora de televisão interessada em promover a categoria, e a etapa brasileira, a Rio-200., transmitindo todas as provas ao vivo. O dirigente da Cart, que prefere não se identificar, diz que a TV Asteca, do México, com tradição em esportes motorizados, é que garante o patrocínio de Michel Jourdain e Adrian Fernandez, promovendo a Indy. A Asteca, que perdeu os direitos da Fórmula 1 para a PSN (canal exclusivo da F-1 em diversos países latino-americanos), ampliou este ano sua programação das corridas da Indy.

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