Primeiro presidente da Foztur, de 1990 a 1992, Antonio Hernandez Gonzales Júnior tem, aos 41 anos, o maior desafio de sua vida profissional: comandar a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu, uma superpasta que o prefeito Harry Daijó (PPB) criou com a reforma administrativa, em dezembro de 1998.
Empresário de sucesso, secretário municipal de Turismo em 1989, com apenas 31 anos, Gonzales Júnior tem a responsabilidade de renovar um modelo gestor de turismo usado desde o início da década.
O novo secretário admite que sua gestão ainda está na fase de ajustes. Gonzales Júnior falou à Folha no prédio em obras da antiga Foztur.
Folha- Neste momento de transição, como estão os contatos externos do município no setor turístico?
Antonio Hernandez Gonzales Júnior - Estamos assumindo todas as responsabilidades da Foztur a partir desta semana (a penúltima de fevereiro). Até agora estávamos num período de ajustes. Órgãos municipais de fomento ao turismo, Embratur, Paraná Turismo receberão um comunicado oficial informando sobre a mudança do comando no município.
Folha- Qual é o maior problema que se pode enfrentar neste novo modelo de gestão, que funde a administração do turismo, da indústria e do comércio numa mesma secretaria?
Gonzales Júnior- O maior obstáculo será a adequação de pessoal. Isso demanda um certo tempo, mas de forma nenhuma pode ser encarado como um problema. O mais importante é que temos uma boa equipe, formada por excelentes profissionais. Eles estão conscientes que, nesse período de transição, é necessário agilidade e precisão em todas as tarefas.
Folha- Por quais meios legais a prefeitura pretende formar a equipe de funcionários da nova secretaria?
Gonzales Júnior- Os 29 funcionários remanescentes da antiga Secretaria de Indústria e Comércio continuarão conosco e devem suprir a parte de Desenvolvimento Econômico. Na parte de turismo, a coisa está indefinida. Estamos tentando junto à administração municipal viabilizar o reaproveitamento de parte do quadro da Foztur, que foi totalmente desfeito. Tentaremos aval do Tribunal de Contas do Estado para que o último concurso da Foztur seja válido para compor o quadro de departamento de Turismo. Se chegarmos à conclusão de que esta saída é legalmente inviável, então escolheremos entre três possibilidades: a contratação temporária, o estágio e o concurso.
Folha- Não seria um contrassenso a realização de um concurso depois que a reforma administrativa foi adotada como instrumento de contenção de despesas?
Gonzales Júnior- Absolutamente. Mesmo com o concurso, nós deveremos trabalhar com um quadro de 40 pessoas. Só a Foztur tinha 76 empregados. Por exemplo, os postos de informações mantinham funcionários que ganhavam cerca de R$ 700,00. A secretaria pretende colocar nessas funções estagiários que ganhem de R$ 180,00 a R$ 210,00. Os gastos com pessoal do novo departamento de Turismo representarão apenas 20% do valor gasto pela Foztur. A fusão das duas secretarias é uma idéia da Secretaria de Administração, que planejou minuciosamente a reforma e decide o que fazer nesse caso. A sugestão da nossa secretaria é aproveitar ao máximo a equipe da Foztur.
Folha- Qual sua opinião sobre a extinção da Foztur?
Gonzales Júnior- Sempre acreditei no modelo de gestão híbrido, o problema é que, depois que a Constituição de 1988 foi regulamentada e acabou com vários incentivos fiscais, de forma que a saúde financeira deste tipo de empresa ficou comprometida a partir da segunda metade desta década. Minha opinião pessoal, claro, é contrária à extinção da Foztur. O problema é que ela se tornou uma empresa ineficaz e não havia outra saída, pois as soluções esbarram nos entraves legais.
Folha- A fusão das duas secretarias foi a melhor saída para o problema?
Gonzales Júnior- O prefeito foi muito feliz ao unir as duas estruturas. O turismo é a principal indústria de Foz e seu maior instrumento de desenvolvimento econômico. Às vezes corriam paralelamente nas duas secretarias diretrizes e ações dissonantes. Agora teremos a possibilidade de aliar os projetos a partir de uma mesma estrutura.
Folha- Mas os planos de diversificação econômica da cidade não são prejudicados com a prioridade para o turismo na estrutura do poder municipal?
Gonzales Júnior- Absolutamente. Temos um plano de incentivo de pequenas fábricas que abasteceriam a demanda de produtos para a rede hoteleira. Assim, por exemplo, o sabonete, o guardanapo, o papel higiênico que hoje são comprados em Curitiba ou São Paulo poderão ser fabricados em Foz do Iguaçu, que tem um grande mercado, pois possui a terceira maior rede hoteleira do Brasil. Todos ganhariam: a margem de lucro e a agilidade na formação do estoque dos hoteleiros aumentariam, a prefeitura arrecadaria mais impostos e seria ampliada a oferta de empregos. Pela sua localização, Foz dificilmente atrairá grandes indústrias. Nos resta desenvolver distritos industriais voltados à economia local.
Folha- Quais seriam as vantagens de Foz em relação a outras áreas industriais? O que o município tem a oferecer?
Gonzales Júnior- O importante, no momento, é bolar a estratégia certa. Temos que aprender com as experiências de sucesso dos outros municípios. A falta de espaço físico para a instalação de indústrias é um problema real. Não podemos, portanto, doar terrenos. Isso terá de ser compensado com outros incentivos, que os concorrentes não podem oferecer.
Folha- Qual a avaliação que o senhor faz do turismo na cidade na década de 90, período em que a Foztur nasceu, cresceu e morreu?
Gonzales Júnior- Uma época de muitas mudanças, transição e penúria. No início da década, com a recessão e o desemprego assolando o País, o ciclo dos compristas se consolidou. Mas aí veio a diminuição da cota, o rigor na fiscalização e a crise aguda. Foi quando percebemos que a cidade tinha feito a aposta errada, se atrelando a um fenômemo passageiro. Nossa vocação é o turismo convencional. Quanto à Foztur, foi uma empresa que, enquanto não foi atrapalhada pela burocracia, teve um desempenho exemplar.
Folha- O senhor acredita no conceito de destino concorrente?
Gonzales Júnior- A princípio, não. Não existe outra cidade no mundo que tenha as Cataratas, isto já é um ponto a nosso favor. Outra coisa: o crescimento global do turismo é interessante para todos os destinos. A tendência é se trabalhar o conceito de destino complementar.
Folha- E o Convention Bureau? Como ele pode atuar no turismo da cidade?
Gonzales Júnior- O trabalho do Convention Bureau depende intimamente do funcionamento do Centro de Convenções. Como é uma obra que demanda um certo tempo para ser concretizada, nossa secretaria não poderá se omitir enquanto o Bureau não estiver consolidado. Por exemplo, na Copa América não poderemos deixar o turista desassistido. Trabalharemos para isso e formaremos uma parceria de responsabilidades.
Folha- Quais são os planos da secretaria para que os moradores de Foz desfrutem das atrações turísticas da cidade?
Gonzales Júnior- É fundamental que os moradores de uma cidade turística conheçam e propaguem a beleza de sua terra. Este trabalho hoje é até mais fácil, porque Foz já possui uma geração de iguaçuenses. Deveremos fazer uma parceria com o Ibama para que a comunidade desfrute mais do Parque Nacional do Iguaçu.


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