Muitos gigantes da indústria farmacêutica mundial, que retiraram ontem sua ação contra uma lei sul-africana sobre os remédios baratos, acumulam a cada ano lucros extraordinários, às vezes superiores à arrecadação de muitos Estados.
Assim, os lucros de Merk Sharp and Dome (6,9 bilhões de dólares) equivalem ao Produto Interno Bruto (PIB) da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire, 7 bilhões de dólares), segundo informes anuais dos laboratórios e do Banco Mundial (BM).
Os de Pfizer são idênticos ao PIB da Etiópia (6,5 bilhões de dólares) e os de Bristol Myers Squibb (BMS) ao PIB do Gabão.
‘‘Por si só, as vendas totais dos remédios destinados a lutar contra a aids comercializados pela Glaxo equivalem ao PIB do Chade (1,6 bilhão de dólares)’’, frisa a sucursal francesa da Associação de Luta contra a Aids Act Up.
E essa indústria - que se considera ameaçada pela possível chegada à África de cópias a baixo preço de seus medicamentos contra a Aids - produz anualmente quase 400 bilhões de dólares, três vezez mais do que a renda nacional bruta da Tailândia (153 bilhões) ou a metade da do Brasil (820 bilhões).
Contudo, neste mercado farmacêutico, África só representa 1,3% das vendas, ou seja 3,5 bilhões de dólares, em relação aos 100 bilhões da Europa, e os 169 bilhões da América do Norte, segundo dados americanos oficiais citados em julho passado em Durban (sudeste da África do Sul) pelo professor Richard Laing, da escola de saúde pública da Universidade de Boston, durante a décima-terceira conferência internacional sobre a Aids.

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