Indústrias estão reaproveitando a água
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sexta-feira, 20 de julho de 2001
Liana John Agência Estado De Jundiaí, SC 
Com um investimento de R$ 50 mil, considerado irrisório para sua escala de produção, a Panamco Brasil instalou tubulações e válvulas no circuito de retrolavagem de seus filtros de carvão ativado e passou a reaproveitar 800 m3/dia de água quase limpa, que antes era descartada. O retorno do investimento ocorreu em menos de um mês, só com a economia na compra desta água, ao preço mensal de R$ 60 mil reais.
O ganho ambiental também é evidente, na medida em que se reduz o consumo de um recurso vital, cada vez mais escasso devido à superexploração, desperdícios e poluição. Os 800 m3/dia economizados são suficientes para suprir as necessidades diárias de água de mais de 5.300 pessoas, incluindo banho, cozinha, lavagem de roupas e consumo direto.
Para a Panamco, a maior fábrica brasileira de Coca-Cola, os 800 m3/dia correspondem a algo entre 115 e 13% do total de água captada no Rio Atibaia, em Jundiaí (SP). A capacidade de tratamento da empresa é de 8.400 m3/dia, mas eles retiram atualmente do rio de 6.000 a 7.200 m3/dia para usar na produção.
Estamos estudando a viabilidade técnica de reutilizar também a água de lavagem dos frascos e latas de refrigerante, que representam outros 2.800 m3/dia, diz Lauro José Giacheti, gerente industrial da empresa. A reutilização desta outra água é um pouco mais complicada, porque será preciso retirar mais impurezas, atendendo às exigências das ISO 9000 (qualidade) e 14000 (gestão ambiental).
Em Concórdia, Santa Catarina, outra empresa, de um ramo totalmente diverso, também se rendeu às vantagens econômicas e ambientais da reutilização da água. A Sadia hoje economiza de 15% a 16% da água necessária em seus processos, fazendo a recirculação.
A empresa usa cerca de 8.400 m3/dia, dos quais 1.100 são fruto da reutilização e 7.300 captados em três fontes: no Rio dos Queimados (5%), em uma barragem de água de chuva (35%) e no Aquífero Guarani, através de poços artesianos (60%).
A empresa usa a água de degelo das câmaras frigoríficas nas torres de resfriamento dos frangos e suínos abatidos. As torres são de amônia e a água de resfriamento não entra em contato com os alimentos produzidos. Depois que circula pelas torres, a mesma água ainda serve para a lavagens de pocilgas (currais dos porcos).


