Indústrias de porcelana devem crescer 20% em 99
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Mílton Bridi 
Campinas, SP, 9 (AE) - As indústrias de porcelana do município de Pedreira, na região de Campinas, devem crescer, este ano, com a desvalorização do real, cerca de 20%. O setor, que vinha sofrendo nos últimos quatro anos a concorrência dos importados, principalmente oriundos dos países asiáticos, começou a reagir nos últimos meses. As vendas internas aumentaram e os ceramistas já pensam em voltar a exportar.
O balanço do primeiro semestre aponta uma ligeira elevação da produção. No ano passado havia na cidade 216 indústrias, que fabricavam cerca de 300 mil peças/dia. Atualmente, já são 230 empresas em pleno funcionamento, que produzem 330 mil peças/dia, o que representa um crescimento na ordem de 10%. Outros aspectos positivos: diminuiu o número de empresas que fecharam as suas portas e novos empregos estão sendo criados.
"O Plano Real foi bom para o setor somente no começo"
constatou Valéria Giroldi, responsável pelo departamento comercial da Cerâmica São Joaquim, que trabalha com a linha personalizada de canecas para festas. A fábrica, que produz cerca de oito mil peças/dia, registrou aumento nos pedidos e voltou a exportar. "Temos, este mês, uma encomenda de 100 mil canecas para uma fábrica de refrigerantes da Bolívia", disse.
A queda nas vendas nos mercados interno e externo levou a empresa, que exportava porcelana para vários países da América do Sul, Estados Unidos e Europa a reduzir o número de 90 para 60 empregados. Há 4 anos, antes da crise, a exportação chegava a 8% da produção. "Estamos reiniciando, agora, novos contatos lá fora para voltar a exportar o mesmo volume", acrescentou Valéria.
O ceramista José Geraldo Pieri, que antes da crise produzia em média 13 mil peças/dia, conta que, com a implantação do real, houve uma retração no mercado em torno de 40%. A solução encontrada por ele, para não fechar a fábrica, foi a de reduzir o quadro de 130 para 50 empregados. "Agora, com o setor voltando a crescer, pretendemos criar 29 novas vagas, até o mês de setembro", disse.
Os empresários do setor, para tornar o produto competitivo, não estão aumentando os preços nesta época de pico de produção, que vai se estender até o mês de dezembro. A maioria ainda mantém o preço médio das peças, a R$ 1,60. "Estamos ainda utilizando a tabela de preços de 1994", revelou Pieri, que é diretor da Porcelana São Paulo.
O empresário é também o presidente da 23ª Feira da Indústria da Porcelana, que acontece no município entre 17 a 25 deste mês. O evento contará com 70 indústrias do setor, que estarão expondo seus produtos e fazendo novos lançamentos. A expectativa de organização é comercializar durante a festa cerca de R$ 1,6 milhão.
Empresas Familiares - A produção de porcelana no município de Pedreira, que possui 38 mil habitantes, é ainda uma atividade basicamente familiar e totalmente artesanal. A maioria -- cerca de 180 empresas -- é tocada pelas próprias famílias, que possuem
em média, entre 4 e 5 funcionários. Os novos microempresários são, geralmente, ex-operários que trabalhavam em médias e grandes indústrias que fecharam por causa da crise dos últimos 4 anos.
Até o início da década, a produção de porcelana representava cerca de 80% da receita do município. "Agora fica em torno de 50%", afirmou o prefeito, Antonio Ganzarolli (PMDB)
que também é ceramista. Ganzarolli prevê para este ano aumento em torno de 5% na arrecadação de impostos do município. "A tendência é o setor prosperar e as pequenas empresas de hoje se transformar em médias no futuro próximo".
Boa parte da produção de porcelana é vendida diretamente do fabricante para o consumidor, em 160 lojas da cidade, que são invadidas pelos turistas, principalmente nos finais de semana. A iniciativa reduz o preço final do produto. Ainda segundo o prefeito, os ceramistas estão conseguindo aumentar a produção por causa dos investimentos tecnológicos. "O produto ganhou mais qualidade e o preço tornou-se mais competitivo", completou.


