São Paulo, 29 (AE) - A intervenção das indústrias de plásticos e dos supermercados do Rio Grande do Sul fez com que um projeto de lei complementar para a substituição das sacolas plásticas nos supermercados da capital gaúcha e a obrigatoriedade desses de coletar o lixo reciclável fosse alterado. O projeto 06/99, proposto pelo Executivo porto-alegrense por meio do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), previa ainda a redução do uso de produtos descartáveis nos hospitais. As negociaçõpes entre empresários e políticos da administração do Partido dos Trabalhadores (PT) resultaram na retirada do ponto referente aos hospitais e o da substituição das sacolas plásticas. O projeto está em votação na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre.
Caso seja aprovado o que restou do projeto os supermercados serão obrigados a colocar contêineres em suas lojas para o recolhimento do lixo reaproveitável, como madeira, papel, vidro, plástico e alumínio. Já a responsabilidade pela reciclagem não será dos empresários. Antes da alteração, o texto obrigava que as sacolas plásticas deveriam ser substituidas por sacos de papel, porque este material se decompõe mais rapidamente no ambiente natural. Os supermercados deveriam se comprometer em recolher e encaminhar para a reciclagem produtos reaproveitáveis, como garrafas de PET. E os hospitais teriam que reduzir o uso de produtos descartáveis. Itens de plástico, que não podem ser esterilizados
por exemplo, voltariam a ser produzidos em vidro.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado do Rio Grande do Sul, César Rangel Codorniz, afirma que qualquer das três medidas seria um retrocesso. "Hoje
o lixo de plástico representa apenas 6% do total nos aterros sanitários; a reciclagem do material, em Porto Alegre, gera emprego e renda; e é impossível imaginar um hospital, hoje, abrir mão de seringas descartáveis", exemplifica ele.
O Sindicato recebeu apoio da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), por motivos econômicos. Desde que as sacolas plásticas foram instutídas, os consumidores que antes conseguiam carregar apenas dois volumes (um saco de papel em cada braço), passaram a sair do mercado com a média de seis - três sacolas em cada mão. E a indústria de plásticos completa o argumento, informando que a fabricação do papel demanda de 15% a 20% mais energia elétrica do que a de plásticos.
Mas as alegações das indústrias de plásticos não ficaram apenas no âmbito econômico. No ambiental, o argumento recaiu sobre a falta de uma política de gerenciamento de resíduos sólidos, em contraponto às acusação ao plástico. "Será criado um grupo de estudos e um fórum de discussões que reunirá o governo e segmentos da sociedade civil, entre os quais empresários, para criar mecanismos de coleta e reciclagem", diz César Codorniz. Porto Alegre, administrada pelo Partido dos Trabalhadores pela terceira vez, já possui estrutura de coleta e reciclagem do chamado lixo limpo.
Outra solução proposta pela indústria é o estudo sobre os insumos alternativos para a produção de plásticos biodegradáveis. A casca do milho e a da cana-de-açúcar, testados pela Basf e pela Copersucar, seriam as opções. Mas Codorniz avalia que tais insumos podem prejudicar o ambiente, até mais do que o plástico não reciclado. A cana-de-açúcar exaure a terra. Para produzir plásticos a partir dela, seria necessária uma escala muito maior do que a atual, mesmo com os incentivos do governo para revigorar o uso do álcool combustível.

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