São Paulo, 11 (AE) - As seis maiores indústrias de óleo de palma da Malásia estão interessadas em iniciar investimentos em novas áreas de plantio no Brasil, especialmente no Estado do Pará. O óleo de palma é conhecido no Brasil como óleo de dendê. O investimento na primeira fase pode chegar a US$ 200 milhões, segundo informou hoje o representante no Brasil do Conselho para a Promoção do àleo de Palma da Malásia, Iderlon Azevedo.
De acordo com o embaixador da Malásia no Brasil, S. Thanarajasingam, a economia malaia prepara-se para um novo ciclo de investimentos após as dificuldades enfrentadas durante a recente crise dos Tigres Asiáticos. "Já superamos a crise e estamos buscando novas alternativas para a retomada do crescimento", comentou o embaixador, durante visita ao GRUPO ESTADO.
O Conselho para Promoção do àleo de Palma da Malásia é ligado ao Ministério da Indústria Primária daquele país. Segundo Azevedo, a Malásia detém 30% da produção mundial de óleos e gorduras, graças ao óleo de palma, o segundo óleo comestível mais consumido no planeta, depois do óleo de soja. "Dentro de três a cinco anos o óleo de palma deverá ultrapassar o de soja, e os produtores malaios estão preocupados em buscar parcerias para ampliar a produção em outros países", explica Iderlon Azevedo.
Segundo ele, a Malásia tem 2,7 milhões de hectares cultivados com o produto e restam apenas 300 mil hectares disponíveis. "No Brasil, nós já identificamos 14 milhões de hectares aptos para receber o cultivo de palma", disse o representante dos produtores da Malásia.
Financiamento - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está abrindo linhas de financiamento para estimular investimentos de empresas e cooperativas interessadas no cultivo de palma. A primeira agroindústria beneficiada pelo programa de incentivo foi a Companhia Agrícola do Acará (Coacará), do Grupo OMB.
O presidente do Conselho de Administração da Coacará, Pedro Carlos de Brito, disse que o consórcio formado pelas seis líderes malaias da produção de óleo de palma está retomando os contados para a formação de parcerias voltadas para investimentos em novas áreas de cultivo. "Os estudos foram prejudicados pela grave crise enfrentada pelos Tigres Asiáticos no ano passado, mas investidores já estão retomando os estudos e detalhando novos projetos", comentou Brito.
O projeto da Coacará, no Vale do Rio Acoará, tem cerca de 5,5 mil hectares cultivados. Os maiores consumidores do produto no Brasil são grandes empresas, como a Nestlé, Danone, Nissin Ajinomoto. O Brasil consome 160 mil toneladas anuais de óleo de palma. A produção nacional é de 80 mil toneladas. Apesar de produzir menos do que consome, o País exporta 35 mil toneladas para países europeus. Os produtores estão otimistas com a perspectiva de iniciar exportações para indústrias de produtos naturais dos Estados Unidos.

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