Buenos Aires, 07 (AE) - Grande parte das empresas de autopeças da Argentina está considerando seriamente partir para o Brasil, saída encarada como a única possibilidade de sobrevivência. No país, a situação agrava-se a cada dia: as exportações para o Brasil, equivalentes a 95% dos negócios do setor automobilístico com o exterior, caíram 50% até março.
Segundo a Associação de Fabricantes de Autopeças da Argentina (Afac), as empresas estão trabalhando com 50% da capacidade de produção. Além disso, na Afac calculam que as vendas para o mercado interno terão queda de 20%. Pelo menos 17 empresas estão perto da falência. Para este ano estava prevista a produção de 400 mil veículos, mas agora se estima que o número não passará de 200 mil.
Entre as empresas que já partiram para o Brasil está a Magneti Marelli, que se instalou em Minas Gerais, perto da Fiat, faturando US$ 40 milhões no ano passado. Com isso, 200 operários argentinos ficaram sem trabalho. A Delphi, fabricante de pára-choques, também está partindo para Minas Gerais. A Siemens Auto-Peças e a Valeo estão entre as pretendentes à mudança para o Brasil.
Com a partida prevista de outras empresas, calcula-se que 2 mil operários ficarão sem trabalho na Argentina. As perdas no faturamento para o país seriam de US$ 80 milhões. Desde o início da crise brasileira, o setor já demitiu 9.800 empregados.
Os empresários do setor reclamam que as montadoras possuem mais proteção que as de autopeças e invejam a situação das congêneres brasileiras. Por isso, estão pedindo ao governo que exija do Brasil compensações pelas distorções de preços causadas pela desvalorização do real. Com o pagamento de compensações, as empresas querem que o governo crie um fundo que subsidie as exportações para fora do Mercosul, como forma de conquistar novos mercados, aos quais foram indiferentes nos últimos anos.
Não só as empresas de autopeças estão protestando; as montadoras também. Elas solicitam que o regime automotivo seja definido urgentemente. As montadoras, associadas na Associação de Fabricantes de Automóveis (Adefa), pedem que a tarifa alfandegária zero (que entraria em vigor dia 1º de janeiro do ano 2000) só seja aplicada às montadoras instaladas nos dois países. Segundo a Adefa, as outras montadoras pagariam tarifa de 30%.
Além disso, pedem que os fabricantes possam importar de fora do Mercosul uma proporção equivalente a 20% de sua produção e as tarifas sejam preferenciais: a proposta é de 17,5% para as montadoras, enquanto os importadores normais pagariam 35%. Horacio Losovitz, presidente da Adefa, reclamou da lentidão para se definir o regime automotivo do Mercosul.

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