Industriais uruguaios criticam processo de integração ao Mercosul
Montevidéu, 23 (AE-ANSA) - Uma delegação da Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU) criticou hoje o processo de integração do Mercosul e avaliou que o país negocia mal e permite que seus sócios - Brasil e Argentina - imponham normas que prejudicam a produção uruguaia. Gualberto Rocco, atual presidente da CIU, ao lado de dez ex-presidentes da entidade, questionou que as reuniões do Mercosul sejam feitas somente por técnicos.
Para o ex-presidente da CIU, Jacinto Muxi, seria importante que a entidade participasse das negociações para defender a indústria nacional. Os industriais também criticaram o governo. Argumentam que a indústria investiu e se preparou mas a carga de impostos do Estado acaba tirando a competitividade do país. Na semana que vem, a delegação se reúne de novo para tirar um documento que deverá, depois, ser aprovado pelo Conselho Executivo da entidade empresarial. TRANSPORTADORES - Os transportadores de carga devem iniciar na próxima segunda-feira uma greve de três dias pedindo a diminuição de impostos. "Os custos uruguaios são os mais altos da região, o que nos impede competir", disse o dirigente sindical dos transportadores Ernesto Toledo. A greve deve atingir grande parte da indústria e os setores agropecuários. Os transportadores querem fazer manifestações em várias partes do país mas não pretendem fechar estradas. ECONOMIA - Num cenário mais otimista, a economia do pais deve se contrair entre 2% e 3% este ano. Até 98 vinha crescendo entre 4% e 5% anualmente. Gabriel Oddone, economista da Consultoria Oikos disse que "pode haver queda de 2,5% se a situação regional se mantiver como agora, com estabilidade brasileira e sem o temor de mudança na conversibilidade argentina". A queda nas vendas ao exterior deve encolher a economia em 3%, na avaliação do economista Fernando Antia, do Instituto de Economia da estatal Universidade da República. As vendas uruguaias ao bloco do Mercosul caíram 35% no primeiro trimestre do ano, depois da desvalorização do real, ocorrida em janeiro.





