Industriais e sindicatos argentinos contra regime automotivo
Industriais e sindicatos argentinos contra regime automotivo14/Mar, 18:08 Por Ariel Palacios, Especial para a AE Buenos Aires, 14 (AE) - O regime automotivo comum do Mercosul provocou na Argentina um fato incomum: uniu industriais e sindicatos. Irritados por não serem recebidos pela Secretária de Indústria e Comércio, Débora Giorgi, e por verem fechar suas empresas por causa da concorrência estrangeira, ambos setores tradicionalmente antagônicos anunciaram hoje que realizarão mobilizações conjuntas de protesto na semana que vem, sob as janelas das reuniões de negociadores brasileiros e argentinos em Buenos Aires para discutir o regime. Em uma coletiva de imprensa, ambos setores declararam que se não ocorrerem mudanças rápidas no bloco comercial, "em pouco tempo o Brasil terá ficado com todas as indústrias do Mercosul, e a Argentina será um país confinado à agricultura". Eles sustentam que "se as empresas argentinas continuarem fechando aqui e partindo para o Brasil, em breve iremos fazer filas para pedir emprego em São Paulo". Industriais e sindicalistas pedem compensações pela desvalorização do real, e um conteúdo de 50% de autopeças argentinas nos automóveis montados no país. Além disso, entram em um setor tabu: pedem uma revisão da conversibilidade econômica. Os dois setores criticam o regime automotivo elaborado pelos governos do Brasil e da Argentina, o qual consideram que aumentará o desemprego. Para evitar o que denominam de "total catástrofe para daqui a seis meses", pedem que a atual tarifa alfandegária de 2% para a importação de autopeças da Europa e EUA suba para 18%. "Se isso não for feito, terei que despedir mais 50 pessoas. No ano passado, demiti 200. Antes da desvalorização do real, tinha 400 funcionários", disse Angel Bello, proprietário há 40 anos da Forja San Martín que era uma das principais empresas do setor na Argentina. A decisão da mobilização conjunta foi tomada pela Associação de Industriais Metalúrgicos (Adimra, União Operária Metalúrgica(Uomra), Associação de Supervisores da Indústria Metalmecânica (Asimra) e Confederação da Indústria Metalúrgica (Cima). Segundo estas associações, o déficit comercial argentino é uma evidência da crise do setor: em 1999 foi de US$ 19 bilhões. Desse total, o setor automotivo argentino provocou um déficit de US$ 17 bilhões. Por seu lado, só a importação de autopeças foi de US$ 11,8 bilhões. "Isto está tendo um impacto devastador", afirmam. No ano passado, sustentam, fecharam 80 empresas de auto-peças, incluindo as que emigraram para o Brasil, causando a perda de 12 mil postos de trabalho.





