Buenos Aires, 09 (AE) - "Um recreio" para o Mercosul é a proposta que a União Industrial Argentina (UIA) apresentou como saída para o atual estado de tensão comercial entre os Brasil e a Argentina. Os industriais querem que sejam adotados acordos transitórios para resolver os conflitos pendentes como os dos calçados têxteis e papel, e que os problemas restantes sejam discutidos somente após a posse do novo presidente, em dezembro.
Osvaldo Rial, presidente da UIA, afirmou que "a indústria nacional está caindo aos pedaços" e que "com o atual clima entre os dois países, as negociações não teriam resultados". O secretário-geral da UIA, Ignacio De Mendiguren, sustentou que "cada país precisa dar um recreio ao Mercosul". Segundo ele, o Brasil e a Argentina deveriam tomar as medidas que precisam "em liberdade, e depois lançar o Mercosul novamente".
O ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, também propôs que fossem suspensas as negociações até que as economias dos dois países "voltem a crescer". Cavallo sustentou que nesse intervalo ambos países deveriam ter a possibilidade de aplicar algum tipo de restrição.
O ministro do Interior, Carlos Corach, porta-voz informal do presidente Carlos Menem, afirmou que ao governo só restam quatro meses no poder, e que por isso, tem "um horizonte muito apertado para negociações". O embaixador argentino no Brasil, Jorge Hugo Herrera Vega, declarou que será difícil conseguir novas normas no Mercosul até o fim do ano. O embaixador considera que isso se deve às declarações de integrantes do governo brasileiro e ao fato de que a Argentina esteja em pleno processo eleitoral.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) quer realizar uma ampla renegociação das metas com o governo argentino e com o candidato presidencial que vencer as eleições de outubro. Esse acordo implicaria em um novo ajuste fiscal logo após as eleições, negociado entre o órgão, o governo atual e o governo eleito.
Em troca, o FMI garantiria um aumento do empréstimo anti-crise que está permanentemente à disposição da Argentina, e que no momento é de US$ 2,8 bilhões. Com o acordo, passaria a US$ 8,5 bilhões. No ano que vem, o país se deparará com US$ pagamentos da dívida e juros que atingem US$ 14 bilhões, que somado ao déficit fiscal previsto alcança US$ 21 bilhões.
O FMI pretende que o atual diretor da DGI (a Receita Federal argentina), Carlos Silvani, permaneça em seu cargo. Além disso, uma redução de US$ 1 bilhão no gasto público e uma série de leis que ajustem o déficit das províncias e a volta dos contratos temporários de trabalho. Como sinal de apoio à Argentina, o FMI decidiu suspender o envio de uma missão no final de agosto, para evitar complicações na transição política local. O candidato do governo à presidência do país, Eduardo Duhalde, anunciou que não aceitará ajustes do FMI: "acabou-se a época de ajustes na Argentina", disse.

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