Indústria química registra queda de 17,6% no faturamento de 99
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 3 (AE) - O Brasil continua em sétimo lugar no ranking mundial do setor químico, fechando faturamento bruto de US$ 47,9 bilhões este ano, o que aponta queda de 17,6% frente ao resultado de 1998, de US$ 53,3 bilhões. O faturamento líquido foi de US$ 35,1 bilhões. O número é preliminar e contempla o resultado dos segmentos que formam o setor, informou a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), durante o Encontro Nacional da Indústria Química99, hoje, em São Paulo.
Embora as importações tenham caído de US$ 10,059 bilhões
em 1998, para US$ 9,612 bilhões, neste ano, as exportações também recuaram. No ano passado somaram US$ 3,625 bilhões, contra US$ 3,322 bilhões este ano. Ou seja, não ajudaram a aplacar o déficit da balança do setor, que tem de ser mantido em US$ 6 bilhões, nos últimos três anos. "É o segundo maior déficit da balança comercial brasileira", comentou o secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Hélio Mattar, que deu palestra durante o evento.
"Esse déficit é gerado pela impossibilidade de produção local", afirmou Carlos Mariani Bittencourt, presidente da Abiquim. Rentabilidade e competitividade estão ligadas ao "quadro vermelho", disse ele, referindo-se ao demonstrativo das importações. Bittencourt explicou que a rentabilidade não permite os investimentos necessários para que a indústria seja mais competitiva e cresça.
Do total de importações deste ano, o segmento de produtos químicos de uso industrial foi responsável por US$ 7 478 bilhões. Também foi o que mais exportou: US$ 2,888 bilhões. Mas a rentabilidade caiu de 2,22%, em 1998, para -0,36%, este ano. De 1988 a 1999, a rentabilidade média desse segmento foi de 1,03%. O segmento de produtos químicos de uso industrial é o maior do setor, com US$ 16,2 bilhões de faturamento bruto, este ano, frente aos US$ 18,5 bilhões, em 1998. Já as vendas saltaram de 28,3 milhões de toneladas para 29,8 milhões t, este ano. Entre o ano passado e este, o segmento investiu US$ 3,2 bilhões. E, de 2000 a 2005, pretende investir US$ 4,4 bilhões.
Compõem esse segmento as indústrias de produtos químicos inorgânicos, como cloro e álcalis, intermediários para fertilizantes, fertilizantes fosfatados, nitrogenados e potássicos, gases industriais e outros. Os orgânicos, como petroquímicos básicos, intermediários para resinas e fibras e outros. E, ainda, a fabricação de resinas termoplásticas e termofixas, elastômeros e aditivos de uso industrial.


