Rio, 19 (AE) - O setor automobilístico calcula que as vendas de carros populares podem cair até 30% com o fim do acordo automotivo. Já os preços tendem a subir de 7% a 12%, refletindo o impacto nos custos do pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O presidente da Federação Nacional das Distribuidoras de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia de Arruda Pereira, calcula que a produção brasileira despencaria dos atuais 115 mil veículos por mês para um patamar em torno de 80 mil.
Os executivos das principais montadoras também protestam contra a recusa do governo em prorrogar a vigência do acordo, que termina no dia 26 deste mês. O diretor de Vendas e Marketing da Ford, Ricardo Strunz, alerta para um possível agravamento do problema do desemprego no País.
A advertência é endossada por Antônio Carlos da Silva, diretor da Volkswagen no Rio de Janeiro: "Se houver uma queda forte nas vendas é claro que as montadoras vão fazer ajustes", afirmou. "E isso pode passar por um corte de funcionários." O executivo lembrou que o acordo automotivo foi acertado com o governo exatamente para preservar os empregos no setor.
O presidente da Fenabrave criticou a postura do governo, que não se mostrou receptivo aos pedidos de prorrogação das montadoras. "O governo só está preocupado em arrecadar atualmente", alfinetou Pereira. Ele lembrou que a indústria automobilística vai produzir este ano 22% a menos do que em 1998
que já foi ruim para o setor no segundo semestre. A venda de carros populares é atualmente a principal mola propulsora do setor, respondendo por 70% do mercado nacional.
Os executivos das montadoras - que estão reunidos na cidade para o "Rio Auto Show", feira que será aberta ao público sábado, no Riocentro - são mais otimistas em relação à aprovação de um sistema que possa substituir os incentivos fiscais promovidos pelo acordo, que termina este mês. O presidente da Citro$n no Brasil, Sérgio Habib, ponderou que não é interesse do governo deixar um setor tão relevante para economia nacional como o automotivo entrar em crise.
Segundo o diretor superintendente da Peugeot, Cees H. M. Hermanns, a indústria e o governo vão chegar a um consenso antes que o acordo seja extinto. Apesar das reclamações, Pereira não acredita que as montadoras reduzam seus planos de investimento, já que tratam-se de projetos de longo prazo. Ele informou que o mercado brasileiro é líder na América Latina em produção e deve chegar a três milhões de veículos em 2005.
A Citro$n aposta neste crescimento, projetando um incremento das vendas de 50% para este ano frente ao resultado de 1998. A empresa espera chegar a uma produção de 100 mil veículos em 2003, abocanhando 5% do mercado nacional.

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