Indústria prevê produção de 1,5 milhão de unidades em 2000
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 06 (AE) - A indústria automobilística prevê produzir 1,5 milhão de veículos no próximo ano, o que representará um aumento de 10% em relação a este, que deve fechar com 1,36 milhão de unidades. O mercado interno deverá somar no próximo ano 1,3 milhão, incluindo carros importados. Na comparação com este ano, que deverá somar 1,25 milhão, o crescimento será de 4%. O nível de produção no ano 2000 deverá manter-se, porém, ainda mais baixo do que em 1997, quando foram fabricados no País 2,06 milhões de veículos.
As montadoras estão prevendo crescimento de produção maior do que o de vendas internas porque pretendem elevar o volume de exportações. O faturamento com vendas para o exterior no próximo ano deverá passar de US$ 3,4 bilhões para US$ 3,7 bilhões. Segundo o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), José Carlos Pinheiro Neto, a previsão de crescimento é conservadora porque o setor ainda se ressente das crises da ásia e da Rússia e da desvalorização cambial.
O programa de renovação da frota deverá resultar no acréscimo de vendas de 142 mil veículos no primeiro ano de vigência, segundo o presidente da Anfavea. A entidade está montando um dossiê que inclui soluções para evitar perda de arrecadação e cuidados com segurança e meio ambiente. O documento será enviado ao governo na tentativa de justificar a necessidade de lançar o programa no início do ano. O País tem hoje mais de 9 milhões de veículos com mais de 10 anos e 5,8 milhões com mais de 15 anos.
Promoções - A grande quantidade de promoções nas concessionárias de todo o País provocou aumento de 4,1% nas vendas de veículos no varejo em novembro. Foram vendidas 88.600 unidades - 18,9% abaixo de novembro de 1998, quando as concessionárias comercializaram 109.200 veículos. A Anfavea prevê que este ano o mercado de varejo vai absorver 1,250 milhão de veículos.
Apesar das campanhas e descontos, o nível de estoques aumentou. O setor terminou o mês com 155.324 veículos parados nas fábricas e lojas. O total é suficiente para 54 dias de vendas. Deste total, 100.694 unidades estão nas concessionárias. No mês passado o nível de estoque estava em 149.382.
Pinheiro Neto não acredita em queda de juros, o que poderia fazer o mercado se recuperar. Hoje, 70% das vendas são feitas por meio de financiamento. "Se as atuais taxas forem mantidas já será positivo", disse o presidente da Anfavea.
álcool - A venda de carros a álcool em novembro caiu à metade na comparação com outubro, num sinal de que o aumento de preços afugentou o consumidor. No mês passado foram vendidos 1.159 automóveis movidos com o derivado da cana-de-açúcar. Em outubro foram 2.314 unidades. O mercado total de veículos, de 85.492 unidades, caiu 7,01%. Ou seja, a retração na procura pelos modelos a álcool foi superior.
A participação dos modelos movidos com este combustível caiu de 3% para 1,6%. O presidente da Anfavea lembrou que o consumidor sempre vai atrás de algum incentivo. Por isso, a indústria vai produzir conforme a demanda. "Não vamos produzir para a prateleira", destacou.
Mais vagas - A indústria automobilística encerrará o ano com 2.500 vagas a mais do que em dezembro de 1998. Mas na comparação entre os meses de novembro dos dois anos houve fechamento de quase 5 mil vagas. A indústria automobilística tem hoje 95,6 mil empregados. Há um ano tinha 100,4 mil. No próximo mês, a expectativa é manter o mesmo nível de novembro, o que representará um crescimento de 2,6% na comparação com dezembro de 1998, quando havia 93,1 mil trabalhadores.
Em razão da fraca demanda, as montadoras não devem aumentar preços nos próximos dias. O presidente da Anfavea criticou as declarações do presidente do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivo), Paulo Butori, de que as montadoras não estariam pagando os aumentos de custos com matérias-primas.
Butori teria detectado repasse das montadoras para os fornecedores de 8% em média. Mas, segundo Pinheiro Neto, a indústria automobilística repassou, de janeiro a novembro, entre 11% e 27,43% para seus fornecedores. Além disso, disse ele, com matéria- prima utilizada diretamente pelas montadoras o aumento de custo foi de 15,56% a 29,99%.


