Indústria pressiona para prorrogação de acordo automotivo
tanto para o lado brasileiro como para o argentino. Isso garantiria a manutenção da produção nos dois países. Mas os argentinos ainda não se haviam pronunciado a respeito da idéia. Algumas montadoras já começaram a transferir linhas de produção, como a General Motors, que decidiu fechar a fábrica de Córdoba e passará a produzir a picape Silverado no Brasil. Fornecedores estão seguindo o mesmo caminho. Este ano, a participação da Argentina nas exportações de veículos produzidos no Brasil caiu de 40% para 20%. O ritmo de importações também caiu. No mês passado, o Brasil importou da Argentina 9.407 veículos, 72% menos do que em novembro de 1998. No acumulado do ano, as importações de veículos da Argentina representaram uma queda de 48,38% na comparação com a soma de janeiro a novembro de 98 - total de 165.804 unidades. Decisão - Na esfera oficial, o secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior, Hélio Mattar, negou ontem que o Brasil e a Argentina tivessem decidido prorrogar por um curto período as normas do atual regime automotivo. Segundo ele, o prazo final para a troca de informações sobre uma proposta que vigore até 2004, acaba no início da tarde de hoje. "Só então teremos uma posição definitiva." Na semana passada Mattar havia explicado que a possibilidade de prorrogação dos atuais regimes automotivos inexiste. Segundo ele
a Organização Mundial do Comércio (OMC) não aprova o modelo ancorado em desempenho exportador e em índices locais de nacionalização de veículos.Por Marli Olmos e Gecy Belmonte São Paulo, 21 (AE) - Os dirigentes da indústria automobilística do Brasil, que estavam hoje já praticamente em férias de fim de ano, mobilizaram suas equipes de lobistas em Brasília assim que souberam da entrevista da secretária da Indústria argentina, Débora Giorgi, publicada no jornal argentino "El Clarín", sobre a possibilidade de o regime automotivo ser prorrogado. Os representantes do setor optaram por tentar um contato com o secretário da Câmara de Comércio Exterior (Camex) brasileira, José Botafogo Gonçalves, antes de se posicionar a respeito. Na semana passada, os dirigentes das montadoras estiveram em Buenos Aires na tentativa de engrossar os esforços que o governo brasileiro tem feito para fechar acordo com os argentinos. A negociação evitaria que, com o fim das normas fixadas no âmbito do regime automotivo, dia 31, passe a incidir Imposto de Importação de 35% para os veículos comercializados entre os dois países. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse à AGÊNCIA ESTADO que estava otimista com a perspectiva de um acordo com os argentinos. "Temos novas idéias para chegar a um consenso", disse, ao acrescentar que não poderia revelar detalhes da nova proposta. O que chegou a ser cogitado na reunião da indústria na semana passada foi uma espécie de "acordo tampão", por meio do qual seriam prorrogadas por um determinado prazo as regras atuais - intercâmbio livro de impostos para algusn produtos no Mercosul e alíquota de 35% para os carros vindos de países fora do bloco. O impasse nas negociações do acordo automotivo do Mercosul se concentram na tentativa do governo argentino de garantir um superávit na balança comercial. Em 98 as exportações de veículos da Argentina para o Brasil somaram US$ 700 milhões mais do que o total exportado do Brasil para a Argentina. Os argentinos querem manter essa diferença porque receiam que as montadoras desloquem suas linhas de produção da Argentina para o Brasil em razão da diferença de custos garantida pela diferença cambial. Proposta - As montadoras que estão na Argentina são as mesmas que estão no Brasil e o comando das fábricas em todo o Mercosul parte do Brasil. Os dirigentes do setor no País já propuseram a fixação de um número de equilíbrio para a balança comercial entre os dois países, com permissão para superávit máximo de 10%





