Rio - O Batalhão Florestal da Polícia Militar do Rio de Janeiro multou ontem a empresa Cataguases Papel, em Cataguases (MG), no valor de R$ 50 milhões, pelo vazamento de produtos químicos de uma represa sua. O vazamento atingiu os rios Pomba e Paraíba do Sul, que passam por diversas cidades do norte e noroeste fluminense. Entre as substâncias químicas tóxicas que vazaram da represa estão soda cáustica, chumbo, enxofre, lignina, hipoclorito de cálcio, sulfeto de sódio e antraquinona, além de outros metais, utilizadas na fabricação de papel.
A multa aplicada pelo batalhão florestal da PM se deve aos danos causados ao ambiente ao longo dos trechos cortados pelos rios contaminados, localizados dentro do Estado do Rio. A empresa tem um prazo de 20 dias para se manifestar sobre a multa.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a PM e a Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema) enviarão hoje ao Ministério Público uma queixa crime contra a Cataguases Papel, para que seja aberto um procedimento para apurar a responsabilidade da empresa no acidente. A partir daí, os donos da companhia poderão ser denunciados à Justiça e ter de responder criminalmente pelo vazamento.
Ontem, manchas dos produtos químicos chegaram às cidades de Cambuci e de São Fidélis. Em ambas, o fornecimento de água foi suspenso por tempo indeterminado. Com isso, já são cinco os municípios do Estado que estão sem distribuição de água por conta do vazamento.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou ontem em Belo Horizonte que o vazamento é ''um crime que não pode ficar de jeito nenhum sem as devidas penalidades''. ''Há um problema grave porque, pelo que eu sei, a empresa até agora não notificou as autoridades ambientais quanto ao derramamento'', disse a ministra, que determinou que o sistema de contenção da Petrobras fosse deslocado para a região para remover a poluição nos rios.
Nem todos apontam a empresa como a única responsável pelo último acidente. Para o presidente do Comitê para a Integração Hidrográfica do rio Paraíba do Sul (Ceivap), Eduardo Meohas, há ineficiência dos órgãos fiscalizadores. Também o coordenador da Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace, John Butcher, condena falhas na fiscalização. A multa de R$ 50 milhões é considerada desproporcional pelo Greenpeace. Butcher defende que uma multa muito elevada pode levar ao fechamento definitivo da fábrica, gerando um problema social.

mockup