Indústria pede prorrogação do acordo por 45 dias
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 18 (AE) - A indústria automobilística vai pedir ao governo a prorrogação do acordo automotivo emergencial por 45 dias, tempo que o setor estima como suficiente para dar início ao programa de renovação da frota. Segundo o vice-presidente de assuntos corporativos da Volkswagen, Miguel Jorge, as montadoras precisarão repassar, a partir do dia 25 próximo - data em que o acordo expira -, pelo menos o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Somente a elevação de imposto representará no preço do carro popular reajuste de 10%. Mas a indústria quer repassar uma série de outros custos, que vão do aumento de energia até da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Se for prorrogado, o acordo valeria até o dia 10 de outubro. O acordo emergencial prevê congelamento de preços com IPI reduzido. Foi criado em março e renovado por mais três meses.
O secretário de política industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, já teria informado ao setor que o governo não tem intenção de prorrogar o acordo. O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia, disse hoje que a renovação do acordo é benéfica desde que a indústria não eleve preços, nem por conta da renovação da linha.
Os modelos de carros da linha 2000 vão começar a ir para o mercado a preços em torno de 2,5% mais elevados.
O mercado continua fraco, apesar do acordo. O presidente da Fenabrave estima que, com muito esforço, os concessionários conseguirão vender este mês o mesmo volume de julho, que somou 110 mil automóveis e comerciais leves. "Se vier aumento, o ano para nós termina este mês", disse o diretor da Primo Rossi, revenda Volkswagen, Vittorio Rossi Jr.
Segundo Rossi Jr, no acumulado deste mês as vendas na concessionária cresceram 40% por conta do receio do aumento de preços. "Mesmo que o acordo seja mantido, haverá uma queda natural na demanda, mas se os preços subirem o mercado voltará ao que foi em fevereiro", disse.
Fevereiro foi o mês mais fraco do ano e provocou o acordo emergencial. Se o mercado voltar aos níveis de fevereiro, isso representará uma queda de 60% na comparação com os volumes de hoje.


