Rio, 12 (AE) - Em 11 anos, São Paulo, embora mantendo a primazia na absorção de trabalhadores na indústria, passou a contribuir com menos postos de trabalho nas fábricas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o Estado de São Paulo oferecia 45% do emprego industrial em 1985, fatia que encolheu para 41,8% em 1996. Minas Gerais avançou e ocupa a segunda posição, com 10,1% dos postos de trabalho, percentual 2 4% superior ao de 85.
Na verdade, todo o Sudeste perdeu brilho no mercado de trabalho: esta região ficava com 65,32% dos empregados da indústria em 85, enquanto o Sul detinha 19,98%, o Nordeste 10 11%, o Norte 2,60% e o Centro-Oeste 1,99%. Em 96, a contribuição do Sudeste baixou para 60,83% por causa principalmente do avanço do Centro-Oeste (3,15% de participação) e do Sul (22,73%). O Nordeste mudou pouco (10,69%), mas com trocas internas importantes, pois o Ceará tem substituído Pernambuco como empregador na região. O Norte continuou com os mesmos 2,60%.
Estes dados constam da Pesquisa Industrial Anual do IBGE
relativa a 96, feita com 30 mil empresas. O chefe do Departamento de Indústria do órgão, Silvio Sales, explica que o fato de a pesquisa ter sido feita há mais de dois anos não invalida os seus resultados, uma vez que ela investigou a estrutura do setor, observando mudanças que desde então tudo indica que ou se consolidaram ou se aprofundaram.
O estudo mostrou que a perda de capacidade de empregar por parte da indústria se deu mesmo após o Plano Real, como fruto da exposição à concorrência de importados, reestruturação e modernização. Assim, em 85 as empresas industriais com cinco ou mais pessoas empregavam 5,24 milhões de trabalhadores, número que caiu para 5,18 milhões em 96. O ponto de queda começou em 95
já que em 94 tinha até havido crescimento (5,55 milhões de pessoas, ou 6% a mais do que em 85).
O papel dos diferentes segmentos industriais como empregadores mudou bastante. O ramo de produtos alimentícios e bebidas, que já era o principal absorvedor de mão de obra do parque fabril brasileiro, deu um salto importante, elevando a sua participação de 14% do pessoal ocupado na área industrial em 85 para 18% em 94 e cerca de 19% em 96 - observe-se que este é um segmento importante do Centro-Oeste, exatamente o que mais ganhou participação na distribuição de mão-de-obra. A fabricação e montagem de carros subiu como empregadora, mas não se sustentou: partiu de uma fatia de quase 6% em 85 para quase 7% em 94, recuando depois para pouco mais de 6%.

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