Indústria paulista registra primeira queda de atividade em 6 anos
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 03 (AE) - O Indicador de Nível de Atividades (INA), medido pelo Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), caiu 1 9% em 1998, se comparado ao do ano anterior. Foi a primeira vez, após cinco anos de crescimento contínuo, que o volume e o valor da produção industrial paulista tiveram queda, se comparados aos de 1997. A política de juros altos e o clima de incerteza foram a causa da queda nas atividades industriais e do agravamento do desemprego no Estado de São Paulo, segundo a Fiesp.
O total do pessoal ocupado pela indústria foi reduzido em 5,1% durante o ano passado. As demissões promovidas pela indústria ficaram concentradas entre os trabalhadores de salários mais baixos. Essa é a explicação para o aumento da média salarial dos empregados na indústria (4,7% no passado), apesar do total das horas trabalhadas na produção ter caído 7,7% em 1998.
A redução da velocidade da produção foi mais acentuada nos últimos três meses do ano, como reflexo das medidas de defesa da moeda adotadas pelo governo após a crise da Rússia, a partir de agosto. Os indicadores relativos ao desempenho desse setor produtivo tornaram-se negativos a a partir de outubro, quando o INA relativo aos dez primeiros meses do ano caiu 0,6%. No mês seguinte a queda acentuou-se: de janeiro a novembro o INA acumulado foi 1,3% menor. Sem conseguir vender o que produzia, os estoques industriais foram se acumulando.
Apenas em dezembro, o INA caiu 9,9%, comparado a ao mesmo período do ano anterior, segundo cálculo feito por técnicos da entidade. Mas as vendas do setor naquele período cresceram 7,6%, o que confirma o intenso movimento do comércio nas semanas que antecederam o Natal. O mesmo comportamento pode ser observado na comparação entre os índices de dezembro e de novembro. O INA caiu 7,9%, mas vendas cresceram 5%.
A recuperação do mercado nos setores que se mostraram mais ágeis nas suas estratégias de marketing, como no varejo de veículos. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) mostram crescimento nas vendas industriais de 9% em dezembro, apesar da produção no período ter caído 27%.
O resultado foi uma expressiva redução dos estoques que se vinham acumulando nos três meses anteriores.O esforço dos comerciantes não deverá, porém, contribuir para acelerar as atividades industriais neste início de ano. Consulta feita aos dirigentes de indústrias durante o mês passado mostrou que a maioria não esperava resultados favoráveis no que se refere ao faturamento de janeiro. Apenas representantes da indústria de papelão ondulado informaram esperar vender mais em janeiro do que em dezembro. Os demais que participaram dessa sondagem realizada pela Fiesp, ou seja, as indústrias químicas, de plásticos, perfumarias, de bebidas e da alimentação, informaram que o valor das vendas de janeiro deverá ficar aquém do apurado em dezembro.
Preocupação - Janeiro último também foi pior do que o mesmo mês de 1998, segundo apurou o Depecon, entre os poucos empresários que concordaram em responder às perguntas da sondagem realizada pela entidade. "Como o período foi extremamente tumultuado e os empresários estavam muito preocupados, muitos deles não atenderam aos pesquisadores", explicou o diretor do Depecon, Roberto Faldini.
A pequena amostra obtida pela Fiesp, embora prejudicada pela pobreza dos dados, dá a indicação de que o ano começa desaquecido para a indústria e deverá permanecer em ritmo lento até março. O diretor da Fiesp que o sinal relativo ao desempenho do setor produtivo só deverá volta a ser inverter a partir de julho. Faldini disse que a mudança na política cambial não deverá contribuir para acelerar as exportações de produtos
O câmbio favorável deverá contribuir para elevar a receita com as exportações de commodities, disse. Novas vendas de artigos com valor agregado dependerá da agressividade dos exportadores e das negociações com clientes estrangeiros. "A brusca desvalorização do real, num primeiro momento, deverá levar os importadores estrangeiros a buscar vantagens adicionais, como a redução no preço", afirmou Faldini.


