Indústria paulista puxa queda da produção entre janeiro e maio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de julho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 14 (AE) - A indústria de São Paulo teve a maior queda de produção no Brasil de janeiro a maio deste ano, segundo informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda, de 8,6%, foi a principal causa da retração de 3 3% de toda a indústria brasileira no mesmo período, ao lado das reduções da atividade industrial de 5% em Minas Gerais e de 1,9% no Rio Grande do Sul.
"Como São Paulo tem o principal parque fabril do País, puxa o resultado da indústria toda", explicou Miriam Ferreira, gerente de Análise de Dados da Indústria do IBGE. O desempenho industrial do estado foi afetado pela alta das taxas de juros, que prejudicou as vendas das fábricas de bens de capital. "A venda deste tipo de bem se dá muito por financiamento", argumentou a técnica do IBGE.
A retração atingiu toda a rede de produção de bens metalúrgicos e mecânicos. De janeiro a maio, houve redução de 19 9% na produção de bens mecânicos, de 17,8% no ramo de material de transporte, de 15% no setor metalúrgico e de 12,4% na fabricação de material elétrico e de comunicações.
A queda de atividade de 13 ramos industriais anulou o crescimento registrado em outros sete acompanhados pelo IBGE em São Paulo. Entre os aumentos de produção, o maior destaque ficou com a fabricação de produtos alimentícios, que cresceu 3,4%. A queda de atividade no Estado em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado, foi de 7,6%. No indicador acumulado de 12 meses, a retração foi de 6,2%.
Outras quedas - A crise na fabricação de bens de capital e bens de consumo duráveis também afetou os resultados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul - as únicas regiões industriais, das 11 pesquisadas pelo IBGE, que tiveram redução de atividade, além de São Paulo. Em Minas, a queda de 12,6% no segmento de material de transporte influenciou a redução de 5,8% no ramo metalúrgico.
No Rio Grande do Sul, a produção menor de gasolina comum
óleo combustível, colhedeiras e tratores provocou reduções de atividade de 12% do ramo químico e 14,3% no ramo mecânico.
Das regiões onde houve crescimento da atividade industrial de janeiro a maio, a do Rio de Janeiro foi a com maior alta na produção, de 8,3%, segundo o IBGE. Mas a gerente do instituto alertou que este resultado é consequência principalmente do aumento de 15,7% do setor extrativo mineral, graças ao desempenho do setor de petróleo. O setor de produção de bens, alertou a técnica, teve queda de 3,7% neste ano.


