São Paulo, 15 (AE) - Os sinais de recuperação da economia não impediram a demissão de 18.262 empregados na indústria paulista em março - uma queda de 1,13% no nível de emprego. No ano, nada menos que 46.781 postos foram perdidos. Em 12 meses, foram 125.630. Desde julho de 1994, a indústria já cortou um quarto dos postos de trabalho. Ou seja, mais de meio milhão de trabalhadores perderam o emprego desde o real - foram exatos 553.602 ou 25,64% do total, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Mesmo alguns segmentos favorecidos pela substituição de importações, pelo aumento das exportações ou por acordos de emergência com redução de impostos (como o automobilístico) preferiram demitir ou, no máximo, manter o quadro. As exceções foram os ramos de fiação e tecelagem e de calçados, que contrataram, e o de componentes para veículos, que pelo menos não demitiu.
O futuro próximo não deverá ser diferente: dificilmente o aquecimento da economia se traduzirá em aumento do número de empregos em abril, segundo a diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Seibel.
Ao divulgar hoje a pesquisa mensal de emprego da entidade, a empresária informou que tem recebido, informalmente, relatos mais otimistas de vários setores, mas a busca pela redução de custos, mesmo com a folha de pagamento, deve continuar, com esforços redobrados para aumento de produtividade. Além disso, afirmou a diretora, a recuperação não está sendo uniforme em todos os segmentos.
O crescimento do desemprego em março foi puxado também pela quantidade de semanas pesquisadas, segundo Clarice: cinco no total, depois de um mês curto como fevereiro. Mas, na comparação com março dos anos anteriores, o recuo de 1,13% no efetivo das empresas foi o mais drástico do período pós-real.
Cautela - De 47 sindicatos patronais pesquisados, 36 informaram que demitiram mais que admitiram em março. Há um único caso aparente de demissões, por conta de sazonalidade: o setor de balas e produtos de cacau, que no mês passado já havia desacelerado fortemente a produção de guloseimas típicas da Páscoa.
Nos demais casos, tudo indica que os empresários continuaram com seus programas de enxugamento de custos, independentemente da esperança de um segundo trimestre melhor. "Esta recuperação, inclusive em vendas, não está dando ao empresário uma visão de estabilidade", interpretou Clarice.
No caso do segmento de autoveículos, favorecido pelo acordo com os governos federal e estadual de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), as demissões atingiram 0,63% do efetivo total no Estado de São Paulo.
O acordo inclui cláusula que proíbe demissões por 90 dias, mas permite saídas em programas de demissões voluntárias e incentivadas, o que explicaria o prejuízo dos postos de trabalho.
Substituições - As indústrias de fiação e tecelagem parecem ter reagido prontamente à mudança no câmbio. Depois de anos demitindo, em março o nível de emprego aumentou 0,48%, o que é expressivo por se tratar de um segmento grande. A explicação de Clarice Seibel para essa recuperação é a substituição de artigos importados, que o consumidor começa a fazer por conta da desvalorização do real.
Os fabricantes de calçados de Franca informaram um salto notável no nível de emprego em março em termos porcentuais: 4 23%, o mais alto da pesquisa. Por tratar-se de um segmento limitado, o resultado não significa muito em número de empregos, segundo explicou a diretora da Fiesp. A importância do resultado está ligada também ao câmbio, pois trata-se de um setor exportador que vinha enfrentando crise há muitos anos.

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