Indústria opera em janeiro com 82% da capacidade
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 27 (AE) - A indústria brasileira operou este mês com 82% da capacidade instalada. Este é o segundo melhor resultado de janeiro da década, perde apenas para os 83% registrados em 1995, início do Plano Real. Os dados constam da 134º Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A pesquisa é feita com 1.192 empresas, que juntam respondem por cerca de 30% do setor no País.
Segundo o economista Salomão Quadros, responsável pela sondagem, o atual cenário de recuperação aponta para um crescimento de 4,5% na produção industrial este ano. "Os números revelam que o reaquecimento econômico prossegue no início de 2000", explica. "Isso fica claro quando se descobre que 56% dos empresários projetam uma melhora em seis negócios nos próximos seis meses." Ele ressalta que o reaquecimento não virá acompanhado de um aumento de inflação. Pela sondagem, 25% dos empresários pretendem elevar seus preços até março. No trimestre anterior, a percentagem era de 39%.
Entre as empresas que vão anunciar reajustes nos preços entre janeiro e março, 47% fará a taxas mais altas do que nos últimos três meses. Segundo Quadros, vários setores industrial ainda operam com grande capacidade ociosa, como o caso de bens de consumo, principalmente, de duráveis. O setor atingiu em janeiro 75% da capacidade instalada, mas a produção da linha marrom (televisores e aparelhos de som) ainda está em torno de 65%. A sondagem já indica uma queda na capacidade ociosa das indústrias da linha branca (eletrodomésticos e refrigeradores). A previsão é que o segmento tenha utilizado 80% de sua instalação em janeiro.
A retomada do crescimento virá dos segmentos com maior capacidade ociosa. Segmentos como o de bens de consumo e bens de capital têm espaço para elevar sua produção, sem um aumento forte de custos a ser repassado ao consumidor. Já a indústria de bens intermediário, que fornece insumo para o restante do setor, já utiliza 85% da capacidade instalada.
Estoques - A Sondagem Conjuntural mostra que o número de empresários que consideram seus estoques excessivos para este trimestre caiu de 10% para 9% em relação à ultima pesquisa feita em outubro. A parcela que julga seus estoques insuficientes subiu de 4% para 5% no período. Esse é o melhor resultado desde abril de 1995, segundo avaliação da FGV.
De acordo com 25% do setor industrial, a produção deverá se expandir entre janeiro e março. Já 31% projetam redução. O indicador destoa do restante da pesquisa, mas não chega a preocupar Quadros. Segundo ele, a produção industrial é sazonalmente mais fraca no primeiro trimestre.


