Indústria moveleira aposta em exportações de US$ 2,5 bilhões em 2002
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2000
Por Paula Puliti 
São Paulo, 26 (AE) - A indústria brasileira de móveis, formada por pequenas e microempresas, quer exportar o equivalente a US$ 2,5 bilhões em 2002. Desde meados dos anos 90 as vendas externas têm crescido entre 10% e 15% ao ano. No ano passado, alcançaram US$ 385 milhões. A expectativa do setor é ganhar um novo impulso com a entrada nos programas de incentivo às exportações da Agência Especial de Exportações (Apex) no ano passado.
Hoje, apenas 80 fábricas de móveis exportam. A Associação Brasileira da Indústria Moveleira (Abimóvel) estima que mais 500 empresas entrem no mercado de vendas externas até 2002.
O presidente da Abimóvel, Nestor Bergamo, estima que a indústria venda ao exterior US$ 500 milhões neste ano, já refletindo os incentivos dados pela Apex. O potencial brasileiro para exportações, segundo Bergamo, é bastante grande. "Temos árvores, matéria-prima e mão-de-obra", afirma, explicando que um país como Taiwan, que não tem as mesmas vantagens, vende ao exterior US$ 1,8 bilhão ao ano.
A desvalorização do real tem ajudado as exportações de móveis, mas é insuficiente para atingir a meta de US$ 2,5 bilhões. O setor vai fazer algumas mudanças de estratégia para vender produtos de maior valor agregado e ampliar o mercado externo.
Eduardo Lima, superintendente da Abimóvel, explica que as empresas estão recebendo treinamento para comercializar com o exterior e participando de feiras e congressos internacionais para aprender a linguagem do comércio internacional. Além desse preparo, no entanto, o setor quer aumentar a venda de produtos de maior valor agregado, confeccionados com chapas aglomeradas em vez do pinus (madeira maciça).
Design - Um trabalho mais longo e lento também está sendo feito na área de design. Lima afirma que 85% dos móveis exportados hoje são encomendas de outros países com design previamente definido. A fábrica brasileira apenas executa o pedido, deixando para o vendedor final um valor agregado sete vezes superior ao preço pago para o fabricante nacional.
"Queremos exportar um design próprio, de maior valor agregado", afirma o superintendente da Abimóvel. Hoje fazemos cópias, mas queremos que a criação brasileira entre na pauta de importações dos compradores." Esse trabalho, no entanto, deve levar ao menos dez anos para dar resultado, explica.
Antes mesmo da preocupação com exportações, empresários do setor já manifestavam preocupação em agregar valor a seus produtos. Agudos, no interior de São Paulo, por exemplo, deixou de enviar madeira para ser trabalhada em outras localidades e desenvolveu seu pólo industrial moveleiro. O projeto começou com uma escola de marcenaria para formação de mão-de-obra e uma incubadora de empresas, com apoio da prefeitura, do Senai e de grande empresas do setor.


