Indústria mantém cortes e reduz os salários
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 28 (AE) - A indústria continua a demitir trabalhadores, e os que mantêm o emprego começaram a ganhar menos a partir do início deste ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou dados de emprego, salário e valor da produção do setor, relativos a fevereiro. A crise econômica que culminou com a desvalorização do real reverteu a tendência de leve aumento dos salários da indústria, que foi registrada durante todo o ano passado.
O número de trabalhadores caiu 1% em fevereiro, na comparação com janeiro, e o valor dos salários pagos por trabalhador caiu 1,4%, de acordo com a mesma comparação. Em dezembro, a redução foi de 0,4%, e em janeiro, de 0,5%.
"Antes, quem ficava empregado ganhava bem, mas agora, há uma reversão", constatou a gerente de análises dos dados industriais do instituto, Miriam Ferreira.
Na comparação com fevereiro de 1998, a queda do nível de emprego foi de 9,2%. O mesmo porcentual de queda foi registrado nos dois primeiros meses do ano, em comparação a quantidade de trabalhadores empregados em dezembro. A queda acumulada em 12 meses chegou a 9,3%.
A pesquisa do IBGE foi realizada pela amostra do desempenho de cerca de 5,8 mil indústrias, e por isso, o instituto não divulga o número total de empregados na indústria.
Na divisão de salários por trabalhador, a perda entre fevereiro e o mesmo mês no ano passado atingiu 1,1%. No acumulado do primeiro bimestre, a queda chegou a 0,8%. Por causa do aumento salarial médio dado no ano passado, este indicador, no período acumulado de 12 meses, continuou a mostrar crescimento, de 1,4%. Mas a trajetória do índice é declinante, informou o IBGE.
A queda da massa total de salários pagos pela indústria de janeiro para fevereiro, sem contar a divisão por cada empregado, foi de 2,3%, informou o IBGE. Na comparação com fevereiro de 1998, a retração ficou em 10,2%. Nos dois primeiros meses do ano, a redução chegou a 9,9%, e no acumulado de 12 meses, a 8%.
As indústrias de fumo e mecânica foram as mais atingidas pelo desemprego, no confronto entre fevereiro deste ano com o mesmo mês do ano passado. O segmento mecânico teve queda de 18 7%, e o de fumo, de 25,5%. Miriam explicou que, no caso das empresas de fumo, a causa foi a queda das exportações.
Horas - O total de horas pagas na indústria reduziu-se em 2,4%, entre dezembro e janeiro. Nos outros indicadores, os recuos são mais significativos. Em relação a janeiro de 1998, o total de horas pagas teve contração de 9,9%. No acumulado em 12 meses, a variação negativa chegou a 9,8%. A jornada média de trabalho também caiu 2,4%, de dezembro a janeiro.
Nas outras comparações, as quedas foram inferiores: -0 8%, no confronto com janeiro de 1999, e -0,6%, no acumulado de 12 meses. A indústria paulista teve queda de 0,7% do nível de emprego, de janeiro para fevereiro. Na comparação com fevereiro, no entanto, a retração chegou a 10,1%, a segunda maior registrada pelo IBGE, atrás apenas de Minas Gerais (-13,4%).


